Casal é preso por agiotagem e lavagem de dinheiro em Baixo Guandu, ES
Casal preso por agiotagem e lavagem de dinheiro no ES

Casal é preso por agiotagem e lavagem de dinheiro em Baixo Guandu, ES

Um casal foi preso na manhã desta terça-feira, 3 de setembro, em Baixo Guandu, no Noroeste do Espírito Santo, acusado de agiotagem e lavagem de dinheiro. Os crimes estavam ligados a esquemas de fraudes veiculares, jogos ilegais e delitos patrimoniais, conforme investigações da Polícia Civil.

Operação Castelo de Areia cumpre 20 mandados

A operação, batizada de Castelo de Areia, cumpriu 20 mandados de busca e apreensão em diversos municípios. As ações ocorreram em Baixo Guandu, Colatina, Serra, Cariacica, Vila Velha e Guarapari, no Espírito Santo, além de Aimorés, em Minas Gerais. A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 70 milhões em bens e valores suspeitos, movimentados pelo casal e por um grupo criminoso desde 2018.

Identificação dos presos e apreensões

Os presos foram identificados como Bruno Suárez Mendonça, de 37 anos, considerado o alvo principal da operação, e Bárbara Alves, de 34 anos. O casal foi encontrado em sua casa de luxo em Baixo Guandu. Durante as buscas, a polícia apreendeu:

  • Três armas de fogo e diversas munições
  • R$ 42,3 mil em dinheiro em espécie
  • Veículos de luxo, incluindo uma BMW X4 avaliada em cerca de R$ 400 mil e uma SW4 blindada
  • Joias, celulares e equipamentos eletrônicos
  • Mais de 1.500 notas promissórias, cheques e documentos financeiros

Além disso, dois imóveis de alto padrão tiveram o bloqueio determinado pela Justiça. A polícia afirma que há outros envolvidos no esquema, e as investigações continuam para identificar mais participantes.

Investigação e histórico criminal

A investigação começou em 2024, quando a polícia notou que o casal ostentava um estilo de vida incompatível com a renda declarada. Bruno não tinha ocupação formal, enquanto Bárbara alegava ser dona de uma clínica de estética, que, segundo as autoridades, funcionava como empresa de fachada.

De acordo com o delegado Anderson Pimentel, Bruno abandonou crimes violentos, como roubo a banco e roubo de cargas, para atuar em fraudes financeiras mais estruturadas. "Ele praticou diversos crimes violentos, mas hoje sua prática é mais voltada a delitos menos violentos fisicamente, porém mais agressivos à atividade financeira e à sociedade", afirmou o delegado.

Em 2018, Bruno teria liderado o roubo a uma agência do Banco do Brasil em Guarapari, onde cerca de R$ 600 mil foram levados. Ele foi preso por esse crime em 2022, em Vitória. Atualmente, o casal atuava em práticas como agiotagem, extorsão e fraudes, incluindo roubos de veículos forjados para recebimento de seguro.

Esquema de agiotagem e bloqueio financeiro

No esquema de agiotagem, imóveis e veículos eram usados como garantia para empréstimos ilegais. Bárbara participava ativamente dessas ações. O valor de até R$ 70 milhões bloqueado corresponde à movimentação financeira suspeita identificada durante a investigação, baseada em relatórios de órgãos de controle.

"Esse montante representa valores movimentados de forma incompatível com a renda declarada. O valor efetivamente bloqueado só será confirmado após o retorno das instituições financeiras", explicou o delegado. Se a origem ilícita for comprovada, o dinheiro poderá ser repatriado ao Estado ao final do processo.

Inquérito em andamento

O inquérito apura crimes de organização criminosa e lavagem de capitais, além de possíveis delitos como falsidade ideológica, fraude contra seguradoras e posse irregular de munição. A Polícia Civil informou que as investigações seguem para mapear novas ramificações do esquema e identificar outros envolvidos.