Crise do Banco Master: Crescimento de 2.122% em ativos e esquema fraudulento levam à liquidação
Banco Master: Crescimento de 2.122% em ativos e fraude

Crescimento Explosivo e Queda do Banco Master: Uma Análise dos Números

Desde que o banqueiro Daniel Vorcaro assumiu o controle do então Banco Máxima, em outubro de 2019, até 2024, os ativos do conglomerado financeiro que inclui o banco passaram de R$ 3,7 bilhões para R$ 82 bilhões, conforme a última demonstração financeira publicada. Esse aumento representa um crescimento extraordinário de 2.122,8% em um período de cinco anos, um fenômeno que chamou a atenção do mercado e, posteriormente, das autoridades.

Trajetória de Ascensão e Investigação

Vorcaro adquiriu o banco em 2018, mas só assumiu o controle efetivo em 2019. Sob sua gestão, o conglomerado, que inclui instituições como Banco Master, Will Financeira, Banco Master de Investimento, Banco Voiter, Banco Letsbank, Banco Master Múltiplo, Master Corretora de Câmbio e Distribuidora Intercap, experimentou uma expansão agressiva. No entanto, em 2025, essa trajetória foi interrompida quando a instituição e o banqueiro passaram a ser investigados por um esquema fraudulento.

As investigações apontaram para a emissão de CDBs com juros acima do mercado para captar recursos de forma ilícita e a criação de carteiras de crédito falsas para simular solidez financeira. A crise culminou na liquidação determinada pelo Banco Central em novembro de 2025 e na prisão de Daniel Vorcaro. Com a liquidação, as operações foram interrompidas, e um liquidante foi nomeado para gerir o processo.

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Impacto nos Clientes e Limites do FGC

A maioria dos clientes do Banco Master foi ressarcida pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), até o limite legal estabelecido. No entanto, o caso expôs claramente os limites do fundo diante do volume elevado de recursos envolvidos, levantando questões sobre a proteção aos investidores em situações de colapso financeiro de grande escala.

Análise Detalhada dos Dados Financeiros

O g1 analisou todas as demonstrações financeiras enviadas pelo conglomerado do Banco Master de 2019 a 2024. As últimas foram publicadas em 1º de abril de 2025, e desde a liquidação, nenhuma nova informação foi divulgada. Os dados revelam uma transformação radical:

  • Posição no Ranking: Em 2019, o conglomerado ocupava a 90ª posição entre as instituições financeiras brasileiras, com ativos de R$ 3,7 bilhões. Em 2024, saltou para a 23ª posição, ultrapassando até o Banco Regional de Brasília (BRB), que em 2024 tinha ativos de R$ 61,3 bilhões.
  • Títulos e Valores Mobiliários (TVM): Esses ativos, como ações e títulos públicos, somavam R$ 792 milhões em 2019 (21,5% do ativo) e dispararam para R$ 32,1 bilhões em 2024 (39% do ativo), um aumento de 3.950%.
  • Operações de Crédito: As concessões de empréstimos e financiamentos cresceram de R$ 768,4 milhões para R$ 16,8 bilhões, uma alta de 2.089%.
  • Caixa e Bens Permanentes: O caixa aumentou de R$ 78 milhões para R$ 397 milhões, enquanto bens como imóveis e veículos saltaram de R$ 57,6 milhões para R$ 611,5 milhões.

Passivo e Resultados Financeiros

O passivo do conglomerado, que representa suas obrigações, acompanhou o crescimento dos ativos, subindo de R$ 3,5 bilhões para R$ 77,3 bilhões (aumento de 2.126%). Em 2024, cerca de R$ 59,9 bilhões (77,5%) correspondiam a depósitos de clientes, colocando o grupo como o 15º com mais depósitos no país. Em comparação, o BRB tinha R$ 39,6 bilhões em depósitos, e o Itaú, líder no setor, registrou R$ 1,1 trilhão.

Os resultados financeiros também refletiram a gestão de Vorcaro. Em 2018, o então Banco Máxima teve prejuízo líquido de R$ 13,2 milhões. Após sua chegada, em 2019, o lucro líquido foi de R$ 30,4 milhões, evoluindo para R$ 567 milhões em 2024, o 20º maior do país. As receitas com operações de crédito subiram de R$ 210 milhões para R$ 4,6 bilhões, e as de TVM de R$ 63 milhões para R$ 1,7 bilhão.

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Linha do Tempo e Operação Compliance Zero

A trajetória do Banco Master sob Vorcaro inclui aquisições e mudanças de nome, mas em 2025, a tentativa de venda para o BRB por R$ 2 bilhões fracassou com a deflagração da Operação Compliance Zero. Em novembro de 2025, mandados foram expedidos contra a cúpula do banco, incluindo Vorcaro, e o presidente do BRB foi afastado sob suspeita de injeção fraudulenta de recursos.

Em janeiro de 2026, uma nova fase focou no rastreamento de dinheiro, com bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens e apreensões em endereços ligados a Vorcaro. Em março de 2026, revelou-se uma estrutura de coerção envolvendo uma milícia privada chamada "A Turma" para intimidar adversários, e servidores do Banco Central foram alvos por suposta corrupção. Vorcaro foi preso novamente, e o STF determinou bloqueio de até R$ 22 bilhões em bens. Ele responde por crimes como gestão temerária, lavagem de dinheiro e corrupção.