Incêndio fatal no Recife: tio e sobrinha morrem após explosão em apartamento
Incêndio no Recife mata tio e sobrinha; vizinhos tentaram salvar

Vizinhos em desespero testemunham tragédia familiar no Recife

Um incêndio devastador atingiu um apartamento no bairro de Santana, Zona Norte do Recife, na madrugada de terça-feira (21), resultando na morte de uma adolescente de 17 anos, seu tio de 46 anos e três cachorros. O sinistro ocorreu no apartamento 304 do Edifício Vivenda Casa Forte, localizado na Rua Samuel de Farias, desencadeando cenas de pânico entre os moradores.

Tentativas frustradas de resgate antes da chegada dos bombeiros

Vizinhos relataram momentos de angústia enquanto tentavam controlar as chamas com extintores de incêndio antes da chegada das equipes de socorro. Marcos Eugênio, corretor de imóveis e filho de uma moradora do mesmo andar, descreveu a situação em entrevista à TV Globo. "A gente ficou gritando, gastando os extintores, os [moradores dos] prédios do lado trazendo [os extintores], tem uns 15 extintores lá [no prédio], gastou tudo que podia, e não apagava", afirmou ele, destacando que os bombeiros levaram entre 30 e 40 minutos para chegar ao local.

O incêndio começou por volta da meia-noite, quando vizinhos de um prédio próximo alertaram sobre a presença de fumaça preta. Marcos Eugênio e o porteiro correram para o local e encontraram o apartamento tomado por fumaça densa. "Tentei avisar a todo mundo que podia, saí batendo às portas e tentei arrombar a porta e não conseguia", contou o corretor.

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Sequência trágica de eventos durante o incêndio

Enquanto tentava forçar a entrada, Marcos encontrou o pai da adolescente, identificado apenas como "senhor Brasil", saindo do apartamento. Ao perguntar se havia mais alguém dentro, o pai respondeu que sua filha ainda estava no local e decidiu retornar para resgatá-la. Nesse momento, ocorreu uma explosão dentro da residência. "Nesse meio-tempo de tirar ele e voltar, foi a primeira explosão. Foi quando caiu o teto", relatou Marcos, que sofreu queimaduras nos pés ao tentar entrar no apartamento.

Posteriormente, Gustavo Cauás, tio da adolescente que morava no primeiro andar, chegou ao local determinado a entrar no apartamento. Marcos ofereceu-lhe uma toalha molhada para proteger-se da fumaça, mas Gustavo não retornou. "Ele foi com a toalha na cabeça, mas não voltou", lamentou o vizinho. As vítimas foram identificadas como a estudante Hannah Cauás, de 17 anos, e o arquiteto Gustavo Cauás, de 46 anos, que faleceu ao tentar salvar a sobrinha.

Danos estruturais e resposta das autoridades

O fogo causou danos significativos no prédio, com portas queimadas e desprendimento de material do teto. A Defesa Civil interditou todo o terceiro andar e parte do quarto andar devido aos riscos estruturais. O Corpo de Bombeiros informou que enviou cinco viaturas e 14 militares para combater o incêndio e realizar a varredura do imóvel, onde localizaram os corpos das vítimas e dos animais.

A Polícia Civil registrou o caso na Central de Plantões da Capital, e as investigações foram assumidas pela Delegacia de Casa Amarela. O edifício, que possui quatro andares e dois blocos com 16 apartamentos cada, tornou-se cenário de uma tragédia que chocou a comunidade local.

Marcos Eugênio descreveu a intensidade das chamas: "Era muito fogo. Eu não conseguia chegar perto, queimei meus olhos, meu cabelo, meus braços e meu pé. O fogo era muito forte. E o fogo aumentando, estourando muita coisa, caindo teto". A mãe da adolescente estava no trabalho, de plantão, durante o incidente, acrescentando mais uma camada de dor a esta história familiar devastadora.

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