MP denuncia 16 por esquema de fraude de R$ 3,8 milhões no RN; casal é apontado como líder
16 denunciados por fraude de R$ 3,8 milhões no RN; casal liderava

MP do RN denuncia 16 pessoas por esquema milionário de fraudes financeiras

O Ministério Público do Rio Grande do Norte apresentou denúncia contra 16 indivíduos por envolvimento em um esquema criminoso organizado que resultou em prejuízos estimados em R$ 3,8 milhões para instituições bancárias e administradoras de consórcios. A investigação, que culminou na operação Amicis da Polícia Civil no ano passado, revelou uma rede sofisticada de crimes contra o patrimônio e a fé pública.

Casal é identificado como liderança do esquema fraudulento

De acordo com as acusações do Ministério Público, um casal é apontado como os principais líderes da organização criminosa. O marido e a mulher respondem individualmente por 65 crimes de falsidade ideológica e 17 crimes de estelionato, demonstrando o papel central que desempenhavam na coordenação das atividades ilícitas.

O esquema foi desmantelado durante a operação Amicis, que executou 53 mandados de busca e apreensão e bloqueou mais de R$ 150 milhões em valores suspeitos. A investigação teve como alvos empresários, contadores e influenciadores digitais suspeitos de participação em fraudes bancárias, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e adulteração de veículos no estado potiguar.

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Contador desempenhava função técnica crucial na fraude

Um profissional contábil foi denunciado por 42 crimes de falsidade ideológica e associação criminosa, sendo considerado pelo MP como "peça técnica indispensável" para a manutenção do esquema. Segundo as investigações, o contador utilizava sua expertise profissional para:

  • Forjar documentos societários
  • Inserir dados falsos em sistemas públicos
  • Fabricar faturamentos milionários inexistentes
  • Induzir instituições financeiras a erro

Modus operandi envolvia empresas fantasmas e "rodízio de CNPJs"

O grupo criminoso operava através do que o Ministério Público descreve como "fases cíclicas" de atuação. A metodologia incluía:

  1. Criação de empresas fantasmas em nome de "laranjas" com endereços fictícios
  2. Contratação de créditos e consórcios com aparência de legitimidade
  3. Interrupção dos pagamentos após liberação de valores ou bens
  4. Desvio dos lucros obtidos fraudulentamente

O esquema utilizava um sistema de "rodízio de CNPJs" que permitia ao grupo ativar novas pessoas jurídicas sempre que uma empresa ficava excessivamente endividada ou sob suspeita, mantendo assim o fluxo contínuo das atividades fraudulentas.

MP requereu separação processual em quatro núcleos distintos

Devido à complexidade do caso e ao elevado número de réus, o Ministério Público requereu a divisão do processo em quatro ações penais distintas:

  • Núcleo dos Líderes
  • Núcleo Amigo Colaborador
  • Núcleo Fungível ("laranjas")
  • Núcleo Contábil

Esta separação visa garantir a celeridade processual e a eficiência da justiça no julgamento dos envolvidos.

Bens foram confiscados para ressarcimento das vítimas

O MPRN solicitou à Justiça o confisco por equivalência de bens e valores para assegurar o ressarcimento das instituições financeiras lesadas. Dois casos emblemáticos envolvem mulheres investigadas que tiveram confiscados R$ 844.876,56 e R$ 776.972,12, valores que segundo o MP eram utilizados para aquisição fraudulenta de frotas de veículos.

A investigação também identificou tentativas de obstrução da justiça, com dois denunciados enfrentando acusações de comunicação falsa de crime. Eles registraram boletins de ocorrência simulando serem vítimas de uso indevido de dados quando as investigações avançaram, mas análises digitais comprovaram sua participação consciente e ativa nas fraudes.

O Ministério Público destacou que o grupo não se limitava a crimes eventuais, mas operava um "estado de falsidade perene", demonstrando a sofisticação e persistência do esquema criminoso que agora enfrenta as consequências judiciais de suas ações.

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