O órgão regulador de mídia do Reino Unido, Ofcom, abriu oficialmente uma investigação contra a rede social X, anteriormente conhecida como Twitter, nesta segunda-feira, 12 de janeiro de 2026. A ação é motivada por denúncias de que o chatbot de inteligência artificial da plataforma, o Grok, estaria sendo utilizado para criar e compartilhar deepfakes de conteúdo sexual explícito sem consentimento.
O cerne da investigação e a lei britânica
A investigação tem como objetivo principal apurar se a empresa de Elon Musk cumpriu suas obrigações conforme a Lei de Segurança Online, promulgada em 2023 e implementada em etapas pela Ofcom. Esta legislação exige que as plataformas tecnológicas impeçam que usuários britânicos encontrem conteúdo ilegal na internet e removam tais publicações de forma proativa.
Um porta-voz do Ofcom declarou que as notícias sobre o uso do Grok para gerar imagens íntimas ilegais e material de abuso sexual infantil são "profundamente preocupantes". O órgão afirmou que não hesitará em agir contra empresas que falharem em proteger os cidadãos do país.
Reações internacionais e posicionamento do X
Pouco antes da ação britânica, no final de semana, Malásia e Indonésia se tornaram os dois primeiros países a proibir totalmente o acesso ao Grok. O governo indonésio classificou os deepfakes sexuais não consensuais como uma "grave violação dos direitos humanos, da dignidade e da segurança no espaço digital".
Questionado sobre a investigação, o X replicou uma declaração anterior, afirmando que toma medidas rigorosas contra esse uso indevido. A plataforma disse que remove conteúdo de abuso sexual infantil e imagens íntimas criadas sem consentimento, além de banir permanentemente as contas responsáveis. "Qualquer pessoa que utilize ou incentive o Grok a criar conteúdo ilegal sofrerá as mesmas consequências", afirmou a rede social.
Disputa narrativa: liberdade de expressão vs. segurança
Elon Musk reagiu à movimentação do governo britânico em um post no sábado, 10 de janeiro, acusando-o de, ao focar no Grok e no X, "simplesmente querer suprimir a liberdade de expressão".
Contudo, a ministra britânica da Tecnologia, Liz Kendall, rebateu a afirmação nesta segunda-feira. Durante uma sessão no parlamento, ela anunciou que uma nova lei proibindo a criação de imagens íntimas sem consentimento entrará em vigor ainda nesta semana. Kendall também informou que pretende tornar ilegal a disponibilização de ferramentas projetadas especificamente para criar deepfakes em redes sociais.
"Trata-se de defender os valores britânicos básicos de decência e respeito, de garantir que os padrões que esperamos fora da internet sejam mantidos online", disse ela aos legisladores.
Este caso envolvendo o Grok deve se tornar o primeiro grande teste da Lei de Segurança Online do Reino Unido, após ações iniciais contra sites pornográficos que não possuíam verificação de idade eficaz. A investigação da Ofcom sinaliza um endurecimento global na regulação de ferramentas de IA generativa e suas aplicações nocivas.