PF investiga vídeos que simulam violência contra mulheres por incitação ao crime
PF investiga vídeos de violência simulada contra mulheres

Polícia Federal investiga vídeos que simulam violência contra mulheres por incitação ao crime

O delegado Flávio Rolim, chefe da Unidade de Repressão a Crimes Cibernéticos de Ódio da Polícia Federal (PF), declarou nesta terça-feira (10) que os autores de vídeos que simulam violência contra mulheres podem responder por incitação à prática de crime. A afirmação foi feita durante entrevista ao Estúdio i, da GloboNews, onde o delegado detalhou as investigações sobre a trend conhecida como 'caso ela diga não'.

Conteúdos removidos e investigação em andamento

Segundo o delegado Rolim, pelo menos 20 vídeos com simulações de violência contra mulheres foram removidos de plataformas digitais após o início das investigações da Polícia Federal. Esses conteúdos, que mostram criadores simulando reações violentas após rejeição a pedidos de namoro ou casamento, estão sendo analisados individualmente pela PF.

"A infração inicialmente investigada é a de incitação da prática de crime, mas esse é o ponto de partida da investigação", afirmou o delegado, destacando que a análise busca compreender o contexto e a intenção por trás de cada postagem.

Contexto complexo e preocupações com misoginia

O delegado Flávio Rolim ressaltou que esses vídeos se inserem em um contexto social mais amplo e complexo. "O que estamos observando é que muitas vezes a atuação desses jovens se insere em um contexto muito maior e muito mais complexo. Nós falamos de atuação das bolhas que difundem conteúdo misógino de prática de crime, mas nós podemos ter no outro polo jovens que cederam a essa incitação e efetivamente cometeram crimes", explicou.

Outro ponto de atenção levantado pelo delegado é a ausência de tipificação específica para crimes de misoginia no ordenamento jurídico brasileiro. "Há uma lacuna normativa, há uma lacuna jurídica, não há uma tipificação específica no ordenamento jurídico para a prática desse crime", pontuou Rolim, destacando a necessidade de avanços na legislação.

Perfil dos envolvidos e atuação das plataformas

De acordo com as investigações iniciais, a maioria dos autores identificados são jovens do sexo masculino. "Ainda não é possível precisar se efetivamente se tratam de adolescentes, mas é possível, até pelo conteúdo da imagem, visualizar que são em sua grande maioria jovens", afirmou o delegado.

Os vídeos identificados até o momento foram retirados do ar após notificação da PF às plataformas digitais. O Supremo Tribunal Federal já estabeleceu entendimento de que as plataformas devem remover conteúdos que façam apologia à violência sem necessidade de acionamento judicial prévio.

Em nota, o TikTok informou que removeu os conteúdos assim que foram identificados, demonstrando alinhamento com as determinações legais e com as investigações da Polícia Federal.