Operação Falso Advogado desmantela esquema de golpes digitais em quatro estados brasileiros
A Polícia Civil do Piauí realizou nesta quarta-feira (4) a Operação Falso Advogado, uma ação coordenada pelo Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC) que resultou na prisão de 14 suspeitos envolvidos em um sofisticado esquema de fraude digital. Os criminosos se passavam por advogados em perfis falsos para abordar clientes e cobrar taxas judiciais inexistentes, causando um prejuízo estimado em R$ 500 mil.
Método criminoso envolvia acesso a processos públicos e engenharia social
Segundo o delegado-geral da Polícia Civil do Piauí, Luccy Keiko, os golpistas acessavam processos públicos disponíveis em sistemas judiciais para obter os nomes de advogados reais e pesquisar suas fotografias. Com essas informações, criavam perfis falsos no WhatsApp e outras plataformas digitais, utilizando números de telefone diferentes dos oficiais dos escritórios de advocacia.
O delegado Humberto Mácola, coordenador do DRCC, explicou detalhadamente a metodologia: "Eles criavam perfis falsos no WhatsApp e se passavam pelos advogados das vítimas. Diziam que os processos tinham tido ganhos de causas e solicitavam taxas inexistentes para liberar os alvarás. Assim, as vítimas, acreditando que estavam realmente falando com seus advogados, transferiam valores a esses criminosos".
Vítimas em múltiplos estados e operação com abrangência nacional
A investigação identificou que pelo menos 120 advogados foram alvo dos golpistas, que atuavam em quatro estados brasileiros. Inicialmente, foram registradas 50 vítimas apenas no Piauí, mas a operação revelou que o esquema tinha abrangência muito mais ampla.
A polícia busca prender um total de 31 pessoas envolvidas no esquema criminoso, além de cumprir 31 mandados de busca e apreensão em diversas cidades:
- Fortaleza, Maracanaú, Tauá, Pacatuba, Caucaia e Aracoiaba no Ceará
- Aparecida de Goiânia em Goiás
- Manaus e Borba no Amazonas
- Recife e Paulista em Pernambuco
Informações privilegiadas e vídeo-chamadas para dar credibilidade aos golpes
Os investigados conseguiam informações privilegiadas de processos sigilosos, utilizando técnicas de engenharia social para convencer as vítimas. O delegado Humberto Mácola destacou um aspecto particularmente preocupante do esquema: "Inclusive, tinham chamadas de vídeos em que eles se passavam por servidores da Justiça para tentar dar mais credibilidade aos golpes".
Os criminosos contatavam os clientes alegando que suas ações judiciais haviam sido julgadas procedentes e solicitavam pagamentos imediatos, geralmente na faixa de R$ 10 mil, através de transferências por Pix para supostamente liberar valores judiciais.
Alerta importante para advogados e clientes
O coordenador do DRCC fez um alerta crucial para a população: advogados e tribunais não solicitam pagamentos imediatos por Pix para liberar valores judiciais. Qualquer solicitação desse tipo deve ser considerada suspeita.
As recomendações de segurança incluem:
- Sempre entrar em contato direto com o escritório de advocacia através de números oficiais já conhecidos
- Verificar cuidadosamente a identidade de quem solicita pagamentos relacionados a processos judiciais
- Nunca realizar transferências sem confirmar a legitimidade da solicitação com o advogado responsável
- Desconfiar de contatos inesperados que aleguem ganhos em processos judiciais
A operação contou com o apoio fundamental das Polícias Civis do Ceará, Goiás, Pernambuco e Amazonas, demonstrando a importância da cooperação inter estadual no combate aos crimes cibernéticos. As investigações continuam em andamento para identificar todas as vítimas e recuperar os valores desviados pelos criminosos.



