Golpista usa falsas entrevistas de emprego para roubar dados faciais e aplicar fraudes no RS
Golpista forja entrevistas de emprego para roubar dados faciais no RS

Golpista forja entrevistas de emprego para roubar dados faciais e aplicar fraudes no Rio Grande do Sul

Um homem está sendo investigado pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul por utilizar falsas entrevistas de emprego para coletar dados de reconhecimento facial de vítimas em Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre. O suspeito se passava por recrutador e convocava candidatos para processos seletivos presenciais, criando uma armadilha elaborada para obter informações pessoais.

O mecanismo da fraude: da entrevista falsa às transações ilegais

Durante as supostas entrevistas, o indivíduo pedia fotos e vídeos das vítimas sob o pretexto de confecção de crachás corporativos. No entanto, as imagens eram utilizadas para tentativas de liberação de financiamentos e até mesmo para comprar veículos em nome das pessoas enganadas. Para dar aparência de legalidade ao processo seletivo, os criminosos chegaram a alugar uma sala em um espaço de coworking, com pagamento realizado em dinheiro mediante uso de identidade falsa.

Uma das vítimas é uma profissional de recursos humanos que está desempregada há mais de um ano. Ela participou da entrevista no início de março e recebeu a falsa informação de que havia sido aprovada. "Ele disse que meu currículo era muito bom e que a empresa estava solicitando uma foto para o crachá", relata a mulher. As suspeitas surgiram quando ela recebeu uma ligação informando sobre tentativas de financiamento de um automóvel em seu nome. "Foi quando percebi que tinha sido um golpe", completa.

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Investigação policial revela esquema criminoso organizado

De acordo com a delegada responsável pelo caso, Luana Medeiros, o homem investigado agia sozinho na abordagem inicial, mas integrava um esquema maior de criminalidade. "Ele é a ponta de uma cadeia criminosa. A cada empréstimo feito em nome das vítimas, recebia cerca de mil reais", afirma a autoridade policial. Os crimes investigados incluem estelionato e uso de documento falso, com financiamentos sendo realizados em outros estados, indicando atuação em nível nacional.

O suspeito foi preso em flagrante após uma das vítimas retornar ao local da falsa entrevista acompanhada do marido. Com ajuda de moradores da região, eles conseguiram detê-lo até a chegada da Brigada Militar. A Polícia Civil acredita que existem mais vítimas e solicita que pessoas que tenham passado por situações semelhantes procurem uma delegacia. "Pode haver vítimas que ainda nem perceberam que tiveram empréstimos feitos em seus nomes", alerta a delegada Medeiros.

Histórico criminal e medidas judiciais aplicadas

O celular do investigado foi apreendido, e a quebra de sigilo bancário foi solicitada pelas autoridades. A polícia afirma que o homem já possui histórico de fraudes, estando envolvido em crimes desse tipo pelo menos desde 2011. Após audiência de custódia realizada em 05 de março de 2026, o suspeito foi solto com aplicação de medidas cautelares, incluindo:

  • Comparecimento mensal em juízo para informar e justificar suas atividades
  • Manutenção do endereço atualizado
  • Proibição de se aproximar da vítima, de sua residência e de manter qualquer tipo de contato

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul informou que o Ministério Público não pediu a prisão, e a autoridade policial também não fez esse pedido. A decisão considerou a inexistência de antecedentes criminais relevantes, a ausência de atos de violência e o potencial lesivo ordinário da conduta. As medidas podem ser reavaliadas em até 90 dias.

Contexto alarmante: mais de 85 mil casos de estelionato no estado

Dados da segurança pública apontam que mais de 85 mil casos de estelionato foram registrados no Rio Grande do Sul no último ano, criando um cenário preocupante para a população. Especialistas em segurança digital alertam sobre os riscos do uso de reconhecimento facial, especialmente fora de ambientes oficiais.

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Ronaldo Prass, especialista em segurança digital, enfatiza: "Quanto mais simples e confortável, maior o risco. Não se deve fornecer esse tipo de dado sem verificar a origem da solicitação". A vítima do caso em Gravataí conseguiu cancelar as operações antes de prejuízos maiores e ressalta: "Nunca imaginei que isso pudesse acontecer em uma entrevista presencial. Então, o meu caso vai servir de alerta para que as pessoas sempre desconfiem".

A Polícia Civil continua investigando o caso e busca identificar outras vítimas do esquema criminoso, reforçando a importância da verificação cuidadosa de processos seletivos e da proteção de dados pessoais em um contexto de crescentes fraudes digitais.