Prefeitura de Pirassununga cai em golpe de R$ 2,1 milhões após falha na comunicação interna
Golpe de R$ 2,1 milhões em Pirassununga por falha na comunicação

Prefeitura de Pirassununga é vítima de golpe milionário após falha na comunicação interna

Um ano após o golpe que resultou na transferência indevida de R$ 2,181 milhões, o caso envolvendo a Prefeitura de Pirassununga, no interior de São Paulo, segue envolto em sigilo judicial. O episódio, ocorrido em 12 de fevereiro de 2025, só veio a público semanas depois, revelando uma grave falha na comunicação entre setores da administração municipal.

Investigações em andamento com valores bloqueados

O município informou nesta segunda-feira (23) que o caso continua sob investigação, com valores já bloqueados de suspeitos envolvidos na ação criminosa. A fraude aconteceu quando a prefeitura realizou um pagamento após receber um e-mail fraudulento solicitando a alteração dos dados bancários da empresa Le Card, responsável pelo vale-alimentação dos servidores.

Embora a empresa tenha alertado o setor de Recursos Humanos sobre a possibilidade de golpe, essa informação crucial não foi repassada à Contabilidade, resultando na transferência do montante milionário para a conta dos criminosos.

Sigilo judicial impede divulgação de detalhes

Em nota ao g1, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) confirmou que o caso é investigado, sob sigilo judicial, por meio de inquérito policial instaurado na Delegacia de Pirassununga. "A autoridade policial prossegue com as diligências visando ao total esclarecimento dos fatos", afirmou o comunicado oficial.

O Tribunal de Justiça de São Paulo também informou que o processo tramita sob segredo de Justiça, o que impede a divulgação de informações adicionais sobre o andamento do caso.

Cronologia do golpe revela falhas operacionais

A falta de comunicação entre setores da Prefeitura de Pirassununga emerge como a principal explicação para o sucesso do golpe. Tudo começou em 3 de fevereiro de 2025, quando o setor de contabilidade recebeu um suposto e-mail da empresa Le Card solicitando alteração de dados bancários.

O RH da prefeitura chegou a consultar a empresa, que negou a mudança e alertou sobre uma possível fraude. No entanto, essa informação não foi transmitida à contabilidade, que continuou trocando e-mails com os golpistas.

  1. Em 5 de fevereiro foi feito um primeiro pagamento teste de R$ 36 para os criminosos
  2. Os golpistas reclamaram do estorno e a contabilidade alegou divergência nos dados
  3. Em 6 de fevereiro, os criminosos deram novas orientações para a transferência
  4. Em 12 de fevereiro ocorreu o pagamento principal de R$ 2,181 milhões

Empresa colabora com investigações

O diretor-financeiro da Le Card, Gervando Thompson, afirmou que a empresa denunciou o caso ao Banco Central e continua colaborando com as investigações. Após cair no golpe, a Prefeitura fez a transferência correta para a Le Card em 17 de fevereiro, conforme registros do Portal da Transparência.

O presidente do Sindicato dos Servidores da cidade, Éder Ricardo Pereira da Cruz, destacou que, apesar da situação, os funcionários municipais só demoraram seis horas a mais para receber o vale-alimentação.

Banco esclarece relação com a empresa

O Banco Rendimento esclareceu que a Le Card não possui conta ou relacionamento direto com a instituição, explicando que a empresa mantém conta digital na 7Trust Finance, responsável por contratar o banco para a liquidação das transações financeiras.

O caso continua a servir como alerta para órgãos públicos sobre a importância de protocolos de segurança e comunicação eficiente entre diferentes setores administrativos, especialmente em transações financeiras de grande monta.