Vídeo mostra equipe veterinária soltando cães em rua de Ponta Grossa
Uma câmera de segurança registrou o momento em que funcionários de uma clínica veterinária contratada pela prefeitura de Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, soltaram dois cachorros em uma rua não pavimentada da cidade. As imagens, capturadas na última quinta-feira (5), rapidamente viralizaram nas redes sociais e geraram uma onda de questionamentos por parte da população local.
Cena flagrada por câmera de segurança
O vídeo, que circula amplamente na internet, mostra uma ambulância veterinária parando em uma via de terra. Em seguida, dois funcionários descem do veículo, abrem a porta traseira e libertam os animais. Curiosamente, os profissionais ainda tiram fotografias dos cães no local antes de entrarem novamente na ambulância e partirem, deixando os animais sozinhos na rua.
O local onde os cachorros foram abandonados chama a atenção por sua periculosidade: trata-se de uma área próxima a uma linha férrea ativa, cercada por mata densa e sem infraestrutura urbana adequada. Essa característica do entorno foi um dos principais motivos para a polêmica gerada pelo caso, com muitos moradores questionando os riscos aos quais os animais foram expostos.
Prefeitura se defende e cita lei municipal
Em resposta às críticas, a prefeitura de Ponta Grossa emitiu uma nota oficial explicando que o procedimento seguiu rigorosamente a Lei Municipal nº 9.019/2007. Esta legislação específica disciplina o atendimento veterinário a animais comunitários – aqueles que comprovadamente não possuem tutores responsáveis.
De acordo com a administração municipal, quando um animal de rua necessita de cuidados veterinários, ele é encaminhado ao Centro de Referência para Animais em Risco (CRAR). Após receber tratamento adequado e alta médica, o protocolo determina que o animal seja devolvido exatamente ao mesmo local onde foi originalmente resgatado, desde que seja seu habitat habitual de circulação.
A prefeitura enfatizou que todos os animais atendidos pelo programa são microchipados e cadastrados em um sistema de monitoramento contínuo, com fiscalização técnica realizada por médicos veterinários da Secretaria Municipal de Saúde. Além disso, destacou que a empresa contratada para prestar esses serviços – que também atua em Curitiba – realiza entre 15 e 20 castrações diárias de animais de rua na região.
Questionamentos sobre o protocolo
Apesar das justificativas oficiais, o caso levantou debates importantes sobre a eficácia e a humanidade dos protocolos de manejo de animais de rua. Especialistas em bem-estar animal questionam se a simples devolução ao local de origem, especialmente quando se trata de áreas perigosas ou isoladas, representa a melhor solução para esses animais.
Muitos defensores dos direitos animais argumentam que políticas públicas mais abrangentes, incluindo programas de adoção responsável e a criação de abrigos adequados, poderiam oferecer alternativas mais seguras e éticas para o manejo da população de cães e gatos sem tutores.
O g1 Paraná continua tentando estabelecer contato com a clínica veterinária responsável pelo serviço para obter mais esclarecimentos sobre o ocorrido. Enquanto isso, o vídeo continua a circular nas redes sociais, alimentando discussões sobre a responsabilidade do poder público no cuidado com os animais de rua e a necessidade de revisão das políticas municipais sobre o tema.



