Ataque de rottweilers: 9 meses depois, vítima evita espelho e luta por casa própria
Mulher atacada por rottweilers relata trauma e superação

Nove meses após um ataque brutal que mudou sua vida, a auxiliar de limpeza Adriana da Silva Souza, de 45 anos, ainda enfrenta o reflexo de suas cicatrizes no espelho. Em março deste ano, ela foi atacada por dois cães da raça rottweiler em uma residência no bairro Alto Alegre, em Rio Branco, Acre. O trauma físico e psicológico a fez adotar roupas longas e usar o cabelo para cobrir parte da orelha esquerda, que foi parcialmente arrancada durante a agressão.

O dia do ataque: um pesadelo no quintal

Adriana havia saído do seu trabalho na Maternidade Bárbara Heliodora quando o ex-marido a convidou para ajudá-lo em um serviço de pintura em uma casa. Ela não era habituada ao local. O homem, conhecido pelos animais, entrou primeiro e prendeu os dois rottweilers no fundo do quintal. Após tomarem café na varanda, Adriana resolveu observar algumas flores. Foi quando virou e viu os cães se aproximando.

"Falei assim: 'Meu Deus! E agora? Vão me matar'", recorda. O ex-marido gritou pelo nome de um dos animais, mas o efeito foi o contrário. Os cães avançaram sobre ela. Paralisada pelo medo, Adriana avalia que correr seria pior. "Se eu corresse para rua, me pegavam, se fosse para a casa, me pegavam de qualquer jeito. Sabia que se me pagassem correndo iriam me estraçalhar", afirmou.

A fuga desesperada para o poço e o resgate

O ataque foi rápido e violento. Adriana foi mordida nos braços, pernas, cabeça e teve parte da orelha esquerda arrancada. Enquanto o ex-marido tentava, em vão, afastar um dos animais, o outro a atacava. Foi então que ela avistou uma saída: um poço no quintal. "Olhei para o poço e falei que ia pular", contou. Ela se jogou, caindo em cima de um pedaço de madeira que estava dentro do poço com água.

O ex-marido conseguiu retirá-la de lá e acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Adriana acredita que desmaiou após a queda. "Lembro de pedir água, mas disseram que não podiam me dar. Falava que não conseguia respirar, que ia morrer. Não esqueço desse dia", desabafou sobre o resgate, que considerou uma experiência horrível.

A longa recuperação e a rede de apoio

A vítima ficou cerca de cinco dias internada no pronto-socorro da capital acreana. Seu cabelo foi raspado e ela passou por duas cirurgias: uma para reconstruir o couro cabeludo, que teve parte arrancada, e outra na orelha. Cerca de dois meses depois, Adriana voltou a trabalhar, mas optou por não fazer uma nova cirurgia reparadora na orelha. "Seria mais um procedimento, não queria ficar mais um período sem trabalhar", explicou.

Durante a recuperação, ela recebeu apoio fundamental. "Às vezes choro, fico depressiva, mas só tenho a agradecer a todos. Nasci de novo, sou uma sobrevivente", disse, emocionada. O dono da casa, colegas de trabalho, amigos, suas seis filhas e até desconhecidos a ajudaram. Atualmente, ela não toma mais medicamentos nem faz tratamentos.

Olhando para o futuro: planos e superação

Mãe de seis filhas com idades entre 11 e 26 anos, Adriana agora foca sua energia em reconstruir a vida. O relacionamento com o ex-marido, presente no dia do ataque, não durou. "Ele já foi embora para outro estado e vivo com minhas filhas hoje", relatou.

Seu maior objetivo agora é conquistar a estabilidade para a família. "Em 2026 quero conseguir comprar minha casa porque moro de aluguel e trabalho para manter minha família", concluiu, demonstrando resiliência após um dos capítulos mais traumáticos de sua vida. A história de Adriana é um testemunho de superação após um acidente grave com animais, marcado por cicatrizes visíveis e invisíveis, mas também por gratidão e esperança.