Cães sofrem castração clandestina e mutilação em Ouro Fino, MG: casos chocam
Castração clandestina mutila cães em Ouro Fino, MG

Cães resgatados com sinais de castração ilegal e mutilação em Ouro Fino, Minas Gerais

Dois cães foram resgatados com indícios claros de castração clandestina e mutilação no distrito de Crisólia, localizado em Ouro Fino, Minas Gerais. Os incidentes ocorreram com poucos dias de diferença e estão sob investigação pela Polícia Civil, que já identificou um suspeito em um dos casos. Os animais, chamados Bigato e Bento, apresentavam ferimentos graves e sangramento intenso, exigindo atendimento veterinário de emergência para evitar desfechos fatais.

Detalhes dos casos e relatos veterinários

O primeiro cachorro, Bigato, foi encontrado com sangramento intenso e lesões severas após ter sido submetido a um procedimento de castração realizado de forma irregular. A médica veterinária Maria Nathália de Paiva, que atendeu o animal, descreveu a situação como uma maldade sem tamanho. Ela explicou que o corte, feito por alguém com conhecimento, causou dor extrema e quase levou à morte do cão. Se não fosse atendido no mesmo dia, poderia ter desenvolvido uma infecção gravíssima, destacou a profissional, enfatizando os riscos de práticas clandestinas.

Dias depois, outro cachorro, Bento, foi resgatado em estado crítico, desidratado e com ferimentos severos na região genital. A médica veterinária Giulia Barbosa Costa realizou uma cirurgia de emergência e relatou que o animal foi castrado com técnica totalmente errada, sem pontos ou cuidados básicos. A ferida evoluiu para uma condição conhecida como 'bicheira', tornando-se horrível, afirmou Giulia. Ela expressou indignação, especialmente considerando a disponibilidade de campanhas de castração gratuitas na cidade, que poderiam ter evitado o sofrimento.

Reações políticas e investigações policiais

A vereadora Vânia Couto, do Podemos, que atua em movimentos de defesa animal, classificou os casos como maus-tratos e reforçou que a castração clandestina constitui crime. É um crime de maus-tratos. Temos campanhas de castração, profissionais acessíveis, e nada justifica a crueldade observada, disse ela, referindo-se à proximidade temporal dos dois incidentes. A Polícia Civil informou que já identificou um homem suspeito de realizar uma das castrações. Ele foi ouvido e liberado após afirmar que aplicou anestesia e usou álcool antes de soltar o cão. O suspeito alegou que castrou o animal para controlar brigas, devido à grande quantidade de cachorros em sua propriedade.

O delegado Waldir Jorge Pelarico Júnior destacou que o procedimento foi realizado sem as devidas normas veterinárias, resultando em mutilação e sofrimento significativo. Sobre o segundo caso, ainda não há identificação de suspeitos, mas as investigações continuam. De acordo com a lei de crimes ambientais, a prática de maus-tratos contra cães e gatos pode acarretar pena de 2 a 5 anos de prisão, além de multa e proibição de guarda animal, reforçando a gravidade das ações.

Impacto e conscientização sobre bem-estar animal

Os casos em Ouro Fino destacam a importância de conscientização sobre práticas veterinárias adequadas e a disponibilidade de serviços acessíveis, como campanhas de castração. A comunidade local tem expressado preocupação com a segurança dos animais, e autoridades incentivam a denúncia de maus-tratos. A rápida atuação dos veterinários foi crucial para salvar as vidas de Bigato e Bento, mas o trauma físico e emocional sofrido pelos cães serve como alerta para os perigos da medicina clandestina.

Em resumo, estes incidentes reforçam a necessidade de educação e fiscalização para prevenir crimes contra animais, promovendo um ambiente mais seguro e ético para todos os seres vivos na região de Minas Gerais.