Especialista refuta previsão de 2 milhões em show de Shakira no Rio
Especialista refuta 2 milhões em show de Shakira no Rio

Especialistas em turismo e análise de multidões desmentem a projeção de 2 milhões de pessoas para o show de Shakira em Copacabana, neste sábado 2. A capacidade máxima da praia é de 800 mil, segundo a professora Mariana Aldrigui, da USP, que detalha a matemática da ocupação do espaço, refutando números inflados.

Limite físico da orla

A promessa de “todo mundo no Rio” para o show de Shakira esbarra em um fator pouco glamouroso, mas incontornável: espaço físico. A projeção de público na casa dos 2 milhões — repetida em grandes eventos recentes na orla — é considerada irreal por especialistas, que recorrem a métricas simples para desmontar o número.

A discussão ganhou força após apresentações de Madonna e Lady Gaga na mesma praia, quando estimativas oficiais falaram em mais de 1,5 milhão de pessoas para a rainha do pop e mais de 2 milhões para a mama monster. Na prática, análises independentes já haviam indicado que a capacidade real era significativamente menor.

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Matemática da multidão

Segundo a professora e pesquisadora Mariana Aldrigui, da USP, o ponto de partida é entender como as pessoas ocupam o espaço. Em condições de alta densidade — com público praticamente imóvel e braços erguidos — considera-se cerca de cinco pessoas por metro quadrado. “A sensação de lotação total já acontece com quatro pessoas por metro quadrado, quando praticamente não há liberdade de movimento”, explica.

Aplicando essa conta à área disponível em Copacabana para eventos desse porte, o resultado é direto: o limite gira em torno de 800 mil pessoas. “Levando em conta essa densidade, a área do show comporta no máximo 800 mil pessoas. Não tem nenhuma condição de chegar a dois milhões”, afirma Aldrigui. Em outra avaliação, ela é ainda mais categórica: “É humanamente impossível”.

Geografia com limitações

A divergência entre estimativas não é novidade no Brasil nem no mundo. Protestos políticos, eventos religiosos e grandes shows frequentemente viram arenas de disputa numérica, com diferenças que podem chegar a dezenas de vezes entre dados oficiais e cálculos independentes. Em Copacabana, a própria geografia impõe restrições: há limites claros de largura da faixa de areia, áreas de circulação, acessos e zonas de segurança que reduzem o espaço efetivamente ocupado pelo público.

Além disso, imagens aéreas e registros de eventos anteriores reforçam a dificuldade de sustentar números tão elevados. Estudos internacionais que analisam densidade de multidões por satélite ou fotografia costumam apontar margens mais conservadoras, frequentemente distantes das cifras divulgadas por organizadores.

Para o show de Shakira, a expectativa dos especialistas é de um público expressivo, mas dentro de parâmetros mais plausíveis, possivelmente próximo ao observado em apresentações recentes na orla, sem romper o teto físico imposto pelo espaço. “Pode ser um pouco menor que o da Lady Gaga, talvez equivalente ao da Madonna. Mas dois milhões, definitivamente, não”, resume Aldrigui. A matemática é pouco negociável: por mais elástica que seja a empolgação do público, Copacabana não comporta. “Simples assim”, finaliza.

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