Torre Palace será implodido em Brasília após 12 anos de abandono e disputa judicial
Implosão do Torre Palace em Brasília após 12 anos de abandono

Torre Palace será implodido em Brasília após 12 anos de abandono e disputa judicial

Após 12 anos de portas fechadas e um extenso processo judicial que envolveu herdeiros, dívidas trabalhistas e tentativas fracassadas de venda, o Torre Palace, localizado no coração de Brasília, finalmente terá seu destino definido neste domingo (25). O emblemático prédio será implodido para dar espaço a um novo empreendimento, encerrando um capítulo marcado por abandono e controvérsias.

Operação de segurança e isolamento rigoroso

As autoridades do Distrito Federal estão organizando um rigoroso esquema de segurança para a implosão programada para as 10h da manhã. A operação inclui:

  • Evacuação de três hotéis situados a aproximadamente 100 metros do Torre Palace entre 6h e 8h
  • Interdição total do trânsito nas áreas adjacentes
  • Retirada preventiva de veículos de estacionamentos próximos
  • Proibição absoluta da circulação de pedestres em zonas determinadas
  • Desligamento programado das redes de energia elétrica
  • Interrupção temporária do abastecimento de água no local

A empresa RVS Construções é a responsável pela demolição controlada, que inicialmente estava marcada para dezembro do ano passado, mas foi adiada seguindo uma recomendação técnica do Exército. Segundo informações oficiais, a liberação dos arredores está prevista para as 10h30, desde que todas as condições de segurança sejam confirmadas.

Do luxo ao abandono: uma trajetória conturbada

O Torre Palace funcionou como um símbolo de luxo e hospitalidade durante quatro décadas, até entrar em declínio após a morte de seu fundador, o empresário libanês Jibran El-Hadj, nos anos 2000. Com o falecimento do patriarca, a esposa e os seis filhos herdaram um patrimônio avaliado na época em impressionantes R$ 200 milhões.

Contudo, divergências familiares sobre o futuro do estabelecimento levaram três dos herdeiros a saírem da sociedade em 2007, ingressando na Justiça para reivindicar parte da herança, estimada em R$ 51 milhões. A solução encontrada foi a venda do prédio para uma construtora, que adiantou R$ 17 milhões aos herdeiros remanescentes.

O imbróglio se complicou quando a Justiça penhorou o local antes mesmo da concretização da venda, culminando no fechamento definitivo do hotel em 2013. Nos anos seguintes, o abandono transformou o Torre Palace em um cenário desolador:

  • Ponto de uso de drogas e convivência de moradores em situação de rua
  • Vandalismo generalizado com quebra de vidros das janelas e do hall de entrada
  • Pichações e danos extensos à pintura da fachada do edifício

Operação de desocupação e limbo jurídico

Em 2016, a situação crítica levou o Governo do Distrito Federal a realizar uma operação de desocupação em larga escala. A ação, que durou 40 minutos, mobilizou aproximadamente 200 homens do Batalhão de Choque e do Batalhão de Operações Especiais (Bope), além de dois helicópteros e o uso de balas de borracha e bombas de efeito moral.

O custo da operação atingiu R$ 802,94 mil, valor que o GDF tentou recuperar judicialmente dos proprietários sem sucesso. O imóvel entrou então em um "limbo jurídico" que impediu sua restauração, venda ou demolição por anos.

Tentativas frustradas e nova esperança

As tentativas de resolver a situação do Torre Palace se multiplicaram sem resultados concretos:

  1. Em 2019, o governo solicitou autorização para demolição, mas a Justiça do DF negou, ordenando que os herdeiros realizassem a manutenção do espaço - ordem que, segundo o GDF, nunca foi cumprida
  2. Em 2020, o hotel foi a leilão com avaliação de R$ 35 milhões, mas não recebeu nenhum lance após seis dias de pregão online
  3. Uma segunda tentativa de leilão resultou na arrematação por R$ 17,6 milhões pela empresa RBS Administração de Imóveis LTDA, que posteriormente desistiu do negócio com aval judicial

O espaço foi finalmente adquirido por um grupo econômico do ramo hoteleiro, que agora planeja um novo empreendimento no local. A implosão deste domingo representa não apenas o fim físico de um prédio, mas o encerramento de um longo capítulo de incertezas que marcou o centro de Brasília por mais de uma década.