Câmara de Belo Horizonte avança com projeto de revitalização do Centro
A Câmara Municipal de Belo Horizonte aprovou, em primeiro turno, o projeto de lei que estabelece uma operação urbana para a revitalização da região Central da capital mineira. A votação ocorreu em uma reunião extraordinária realizada na segunda-feira, dia 30, e o texto agora retorna às comissões da Casa para análise detalhada das 36 emendas apresentadas pelos vereadores.
Incentivos para recuperar imóveis abandonados
A proposta tem como objetivo principal estimular obras e intervenções na área central, oferecendo incentivos para a recuperação de imóveis considerados abandonados ou subutilizados. Segundo os apoiadores do projeto, essa iniciativa é crucial para melhorar os bairros contemplados, que atualmente enfrentam problemas com propriedades ociosas e degradadas.
O líder do governo na Câmara, Bruno Miranda, do PDT, defendeu a proposta, afirmando que o projeto passou por uma consulta pública antes de ser enviado ao Legislativo, com um índice de aprovação de 97%. Ele também destacou que foram realizadas duas audiências públicas e reuniões nos bairros, com participação ativa da prefeitura, para discutir os detalhes da operação urbana.
Divergências entre vereadores sobre impactos sociais
No entanto, a votação revelou divisões significativas entre os parlamentares. Vereadores contrários ao projeto, como Pedro Patrus, do PT, e Juhlia Santos, do Psol, expressaram preocupações sobre a falta de diálogo adequado com as comunidades afetadas e os riscos de gentrificação.
Patrus alertou que a iniciativa pode levar ao aumento dos valores dos aluguéis e à possível expulsão de moradores de baixa e média renda, além de questionar a ausência de estudos de impacto sobre mudanças previstas, como efeitos no trânsito devido à construção de novos empreendimentos. Ele sugeriu que o texto fosse retirado da pauta e discutido na Conferência Municipal de Políticas Urbanas para uma análise mais aprofundada.
Já Juhlia Santos reconheceu a necessidade de investimentos na região central, mas criticou os mecanismos propostos no projeto, argumentando que ele flexibiliza regras importantes do planejamento urbano e reduz instrumentos de proteção à cidade. Ela enfatizou que as intervenções podem beneficiar principalmente empresas construtoras, em detrimento dos interesses da população local.
Próximos passos e tramitação legislativa
Após a aprovação em primeiro turno, o projeto retornará às comissões da Câmara para análise das emendas. Em seguida, ainda passará por uma nova votação em plenário antes de seguir para sanção ou veto do prefeito. Esse processo permite ajustes no texto com base nas discussões e contribuições dos vereadores e da sociedade civil.
Os defensores da proposta continuam otimistas, ressaltando que a revitalização pode impulsionar a ocupação da região, incentivar a moradia no Centro e movimentar a economia local. Eles acreditam que a operação urbana é um passo necessário para transformar áreas degradadas em espaços mais vibrantes e funcionais.
Enquanto isso, os opositores planejam manter a pressão por mais transparência e participação popular, buscando garantir que os benefícios da revitalização sejam distribuídos de forma equitativa, sem prejudicar os residentes atuais. O debate promete continuar acalorado nas próximas etapas da tramitação.



