Santa Catarina decreta alerta climático por risco de El Niño em 2026
SC decreta alerta climático para El Niño

O governo de Santa Catarina decretou estado de alerta climático por 180 dias em todo o território catarinense diante da previsão de formação de um novo episódio de El Niño no segundo semestre deste ano. A medida, assinada pelo governador Jorginho Mello, busca antecipar ações de prevenção contra enchentes, deslizamentos e alagamentos, fenômenos historicamente associados ao aquecimento das águas do Oceano Pacífico.

Segundo a Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil, modelos meteorológicos nacionais e internacionais apontam mais de 80% de probabilidade de formação do fenômeno entre julho e agosto. O período de maior preocupação, de acordo com especialistas ouvidos por órgãos estaduais e pela imprensa, deve ocorrer entre setembro e janeiro de 2027, quando as chuvas tendem a se intensificar na região Sul.

O que muda com o decreto

O decreto não configura situação de emergência nem estado de calamidade pública. Na prática, a medida cria um mecanismo de mobilização antecipada da estrutura estadual, permitindo deslocamento preventivo de equipes, reforço do monitoramento meteorológico e liberação mais rápida de recursos para ações de defesa civil.

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Medidas imediatas previstas

Entre as medidas imediatas previstas estão a convocação do Comitê Estadual de Proteção e Defesa Civil, o pré-posicionamento de equipamentos em áreas vulneráveis e o reforço da vigilância sobre barragens, rios e encostas. O governo também autorizou o uso de recursos do Fundo Estadual de Proteção e Defesa Civil para ações preventivas e operacionais.

O decreto estabelece ainda critérios objetivos para que municípios possam decretar situação de emergência de forma mais ágil em caso de desastre. Entre os chamados “gatilhos” estão chuva acima de 80 milímetros em 24 horas, deslizamentos, interrupção de serviços essenciais, desabrigamento de famílias e emissão de alertas laranja ou vermelho pela Defesa Civil estadual.

Histórico recente amplia preocupação no Sul

A preocupação do governo catarinense ocorre após uma sequência de eventos extremos registrados no Sul do país nos últimos anos. Em 2023 e 2024, episódios associados ao El Niño provocaram enchentes históricas no Rio Grande do Sul, além de chuvas intensas em cidades catarinenses. Santa Catarina também tem histórico de tragédias relacionadas ao excesso de precipitação durante anos de El Niño. As enchentes de 1983 seguem entre os maiores desastres naturais da história do estado.

Meteorologistas apontam que o fenômeno costuma alterar o regime de chuvas em diferentes partes do planeta. No Sul do Brasil, o efeito mais frequente é o aumento da precipitação e da ocorrência de tempestades severas. Em outras regiões do país, especialmente Norte e Nordeste, o fenômeno pode provocar estiagens e temperaturas mais elevadas.

O que é o El Niño

O El Niño ocorre quando as águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial apresentam aquecimento persistente acima da média, geralmente superior a 0,5°C. Esse desequilíbrio modifica a circulação atmosférica e afeta padrões climáticos em várias partes do mundo. O fenômeno aparece em intervalos irregulares, normalmente entre dois e sete anos. Seu oposto é o La Niña, caracterizado pelo resfriamento das águas do Pacífico, condição associada, no Sul do Brasil, a períodos de estiagem mais severa.

Centros meteorológicos internacionais, incluindo a agência climática dos Estados Unidos, NOAA, vêm alertando desde o início do ano para o aquecimento acelerado do Pacífico tropical e para a possibilidade de um episódio de El Niño de moderada a forte intensidade ainda em 2026.

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