Incorporadoras de São Paulo se unem às críticas contra a Enel por atrasos na ligação elétrica
As reclamações contra a Enel, concessionária de energia elétrica, ganharam um novo capítulo no cenário econômico de São Paulo. Incorporadoras que atuam na capital paulista estão se queixando publicamente de atrasos significativos na ligação de imóveis novos à rede elétrica, um problema que tem impactado diretamente os prazos de entrega das unidades e causado prejuízos financeiros consideráveis às empresas do setor.
Demoras que ultrapassam os 120 dias
Relatos das incorporadoras indicam que os prazos para a conexão dos imóveis à rede da Enel estão excedendo em muito o tempo regulamentar, com alguns casos chegando a ultrapassar os 120 dias de espera. Essas demoras têm adiado a entrega das unidades aos compradores, gerando insatisfação entre os clientes e comprometendo a programação financeira das construtoras.
O atraso na ligação elétrica é um entrave crítico no processo de finalização das obras, pois impede a conclusão dos testes finais e a liberação dos imóveis para a ocupação. As empresas afirmam que os prejuízos decorrentes desses atrasos são substanciais, incluindo custos com manutenção das obras paradas, multas por atraso na entrega e perda de credibilidade no mercado.
Resposta da Enel e números apresentados
Procurada para se manifestar sobre as acusações, a Enel, que é comandada no Brasil por Antonio Scala, apresentou uma defesa baseada em estatísticas. A concessionária afirma que, em 2026, realizou 98% das novas conexões dentro dos prazos regulatórios estabelecidos. A empresa enfatiza seu compromisso com a eficiência e a qualidade no atendimento, destacando que a grande maioria das solicitações é processada dentro do tempo previsto pelas normas do setor.
No entanto, as incorporadoras insistem que os 2% restantes representam um número significativo de casos que estão causando transtornos graves. Elas argumentam que, mesmo sendo uma minoria em termos percentuais, o impacto desses atrasos é desproporcional, afetando diretamente a cadeia produtiva do setor imobiliário e a vida dos futuros moradores.
Contexto e implicações para o mercado
Esta não é a primeira vez que a Enel enfrenta críticas por supostas falhas no serviço. A empresa, que opera a distribuição de energia em São Paulo, já foi alvo de reclamações por parte de consumidores residenciais e comerciais em outras ocasiões. A entrada das incorporadoras no debate amplia a pressão sobre a concessionária, colocando em evidência questões de infraestrutura e eficiência operacional.
O setor imobiliário, que é um dos pilares da economia paulista, depende de serviços públicos ágeis e confiáveis para manter seu ritmo de crescimento. Atrasos como os relatados podem desacelerar projetos, inibir novos investimentos e afetar a confiança dos compradores. Especialistas alertam que a resolução desse impasse é crucial para a saúde do mercado de construção civil na cidade.
Enquanto a Enel mantém sua posição de que a maioria das ligações é feita no prazo, as incorporadoras continuam a pressionar por soluções mais rápidas e eficientes. O diálogo entre as partes e a intervenção de órgãos reguladores podem ser necessários para encontrar um equilíbrio que atenda às necessidades de todos os envolvidos.



