Projeto do Amapá transforma caroço de açaí em energia e recebe certificado de viabilidade
Projeto do Amapá transforma caroço de açaí em energia

Projeto da Ueap transforma caroço de açaí em energia e recebe certificado de viabilidade

Um projeto inovador desenvolvido por pesquisadores da Universidade do Estado do Amapá (Ueap) está transformando resíduos orgânicos, como o caroço de açaí, em biogás. A iniciativa, que funciona na área da Expofeira, acaba de receber o certificado de viabilidade técnica e econômica, abrindo caminho para a ampliação do uso dessa tecnologia sustentável.

O sistema utiliza um biodigestor que processa resíduos como caroços de açaí, cascas de frutas e outros materiais orgânicos. Esse processo de decomposição controlada gera biogás, que pode substituir o gás de cozinha ou ser convertido em energia elétrica.

Como o caroço de açaí vira energia?

O processo começa com a coleta de resíduos orgânicos da Amazônia, como caroço de açaí, casca de coco, casca de mandioca, castanha e até caroço de manga. Esses materiais, que seriam descartados, passam a ser usados como matéria-prima. Em seguida, os resíduos são inseridos em um biodigestor, equipamento que controla a decomposição em ambiente sem oxigênio, processo chamado de digestão anaeróbica. Durante a decomposição, microrganismos quebram a matéria orgânica e liberam um gás rico em metano, o biogás. Esse gás pode ser usado diretamente como combustível ou convertido em energia elétrica. Após a purificação, o biogás se transforma em biometano, com qualidade suficiente para substituir o gás de cozinha (GLP). O biometano pode ser utilizado em fogões, geradores de energia ou até em veículos adaptados.

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Segundo o pesquisador Menyklen Penafort, o biogás precisa passar por purificação para se transformar em biometano, que pode substituir o botijão de gás GLP. “É o biometano que tem a energia de transformação de todo esse sistema num potencial para utilizarmos como substituto do botijão de gás de cozinha”, explicou.

Expansão do projeto

A proposta é levar a tecnologia para municípios do interior do Amapá, como Laranjal do Jari, Porto Grande, Mazagão e Oiapoque. “Apesar de exigir investimento, o biogás pode ser aplicado em pequenas comunidades com apoio de políticas públicas. É como a energia solar há 30 anos: parecia distante, mas hoje é acessível”, afirmou o pesquisador.

A estudante de engenharia de produção Tays Sousa destacou o papel da equipe jovem no projeto. “Nosso trabalho é otimizar a produção de biogás e reduzir custos. O certificado de viabilidade facilita parcerias e ajuda a difundir a tecnologia pela Amazônia”, disse.

O projeto é considerado inovador por utilizar resíduos típicos da Amazônia. A equipe também planeja oferecer cursos técnicos de operador de biodigestor e biogás a partir de 2026. “Praticamente no mundo todo não existe biogás de açaí, de coco ou de castanha. Estamos fazendo isso aqui no nosso estado”, destacou Penafort.

A iniciativa surge em um momento em que o Amapá se prepara para receber investimentos na exploração de petróleo. “O Amapá deve receber investimentos em petróleo, mas queremos que seja também palco de produção sustentável, com biogás de resíduos da Amazônia”, concluiu Penafort.

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