Roraima registra alta de 36% no desmatamento, contrário à tendência da Amazônia
Roraima tem alta de 36% no desmatamento, diz Imazon

Dados divulgados nesta quinta-feira (27) pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) revelam que Roraima é o único estado da Amazônia Legal a apresentar alta no desmatamento nos últimos seis meses. O aumento foi de 36% em relação ao mesmo período do ano anterior, contrastando com a queda geral de 41% registrada em toda a região amazônica.

Números alarmantes em Roraima

Entre agosto de 2025 e janeiro de 2026, Roraima desmatou 157 km² de floresta, ante 115 km² no período anterior (agosto de 2024 a janeiro de 2025). Com isso, o estado alcançou a quinta maior área desmatada da Amazônia no semestre, ficando atrás apenas de Pará, Amazonas, Acre e Mato Grosso.

Enquanto o desmatamento total na Amazônia caiu para 1.195 km² – o menor índice para o semestre desde 2019 – Roraima seguiu na contramão dessa tendência positiva. O período seco no início do ano no estado é apontado como um fator que favorece o avanço da devastação, diferentemente de outros estados que ainda enfrentam meses de chuva.

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Caracaraí: o município mais crítico

Dentro de Roraima, o município de Caracaraí apresentou a situação mais grave, com 60 km² desmatados no semestre – o maior índice entre todos os municípios da Amazônia no período. Sozinho, Caracaraí concentra 38% de toda a área devastada no estado.

Outros dois municípios roraimenses também figuraram entre os que mais desmataram na região: Rorainópolis e Amajari. A combinação desses fatores coloca Roraima como um ponto de alerta no mapa do desmatamento da Amazônia neste início de ano.

Áreas protegidas sob pressão

O levantamento do Imazon também destaca que áreas protegidas e assentamentos em Roraima estão entre os mais desmatados da Amazônia. O Projeto de Assentamento Dirigido (PAD) Anauá foi o segundo assentamento que mais desmatou no semestre em toda a região, com 7 km² derrubados – área equivalente a aproximadamente 700 campos de futebol.

Entre as terras indígenas, a mais afetada no estado foi a Terra Indígena Waimiri-Atroari, com 1,26 km² desmatados no período, o que corresponde a 126 campos de futebol. Esses dados evidenciam a pressão sobre territórios tradicionalmente protegidos.

Aumento na degradação florestal

Além do desmatamento, Roraima registrou aumento de 23% na degradação florestal – danos causados principalmente por queimadas e extração de madeira. A área degradada no estado passou de 43 km² para 53 km² no comparativo entre os dois semestres analisados.

Roraima e Acre foram os únicos estados da Amazônia Legal que tiveram aumento nesse indicador. No geral, porém, a degradação na Amazônia caiu 93% no período analisado, após um pico histórico de incêndios no fim de 2024.

Contexto amazônico

Em toda a Amazônia, o desmatamento em janeiro caiu 38% em relação ao mesmo mês do ano passado, passando de 133 km² para 83 km². No acumulado dos últimos seis meses, a área devastada é 74% menor do que no pior momento da série recente, registrado entre agosto de 2020 e janeiro de 2021.

Esses números gerais mostram uma tendência de redução, mas destacam a situação preocupante de Roraima como uma exceção significativa. O estado continua a demandar atenção especial nas políticas de combate ao desmatamento e preservação ambiental.

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