Poluição no Rio Tietê em Araçatuba piora com aumento de nitrato e fosfato
Poluição no Rio Tietê em Araçatuba piora com químicos

Análises realizadas em trechos do Rio Tietê que cortam o noroeste paulista revelaram a presença de compostos químicos e apontaram uma piora na qualidade da água. O monitoramento, conduzido mensalmente por voluntários do projeto Observando os Rios, da Fundação SOS Mata Atlântica, detectou substâncias como nitrato e fosfato, indicadores associados à poluição e ao excesso de nutrientes no lençol freático. Na região de Araçatuba (SP), a coleta e o acompanhamento dos dados são realizados pelo Clube da Árvore.

Aumento de poluentes

Segundo os responsáveis pelo monitoramento, o aumento desses compostos favorece a proliferação de algas e cianobactérias, fenômeno já visível em alguns trechos do rio, onde a água passou a apresentar coloração esverdeada. A chamada mancha verde é causada por plantas aquáticas que invadem o rio e se reproduzem rapidamente devido ao excesso de nutrientes, que servem de alimento para elas. Esses nutrientes têm origem no esgoto doméstico ou industrial, na vinhaça (resíduo da destilação do caldo de cana-de-açúcar) e em fertilizantes aplicados nas lavouras.

Desde junho do ano passado até abril deste ano, foram realizadas 13 análises no trecho monitorado. A mais recente revelou o maior número de poluentes desde o início das coletas. “Mês a mês, fomos reparando os indicadores, mas em abril tivemos uma diferença muito grande, principalmente no fosfato e no nitrato”, explicou Maryane Camargo, vice-presidente do Clube da Árvore, em entrevista à TV TEM.

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Impacto no ecossistema

O agravamento da poluição trouxe reflexos perceptíveis para moradores e pescadores da região. Segundo frequentadores do local, houve redução na quantidade de peixes capturados nos últimos meses. A pescadora Cláudia Domingos, que mora em Clementina (SP), afirma que a diferença ficou evidente após a mudança na cor da água. “Antes a gente pegava bastante peixe. Depois que a água começou a ficar mais verde, não consegue pegar nem um ou dois”, relatou Cláudia.

Uma imagem enviada ao g1 em 17 de março, feita de dentro de um paramotor durante um voo sobre a usina hidrelétrica de Promissão, no centro-oeste paulista, mostra a paisagem tomada por um “tapete verde” de algas.

Ações de monitoramento

Após as coletas, os resultados são enviados à Fundação SOS Mata Atlântica, que compila as informações e divulga relatórios periódicos. Segundo o mobilizador da fundação, Marcelo Naufal, os dados funcionam como um diagnóstico ambiental e servem de base para que a população cobre dos órgãos públicos ações de saneamento e preservação.

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