Poda drástica em praça de Pirituba destrói vegetação e revolta moradores
Moradores do Parque São Domingos, localizado no bairro de Pirituba, na Zona Norte de São Paulo, foram surpreendidos por uma cena de destruição em uma praça da Rua Rumi de Ranieri. Um serviço de poda, realizado ao longo de três dias a partir da última segunda-feira (10), resultou no corte praticamente total da vegetação do local, que levou anos para se desenvolver.
O trabalho foi executado pela empresa Apeng, contratada pela Subprefeitura de Pirituba/Jaraguá. Moradores registraram em vídeo o momento em que funcionários cortavam plantas e arbustos, transformando a área em um cenário desolador. "Eles chegaram para cortar os galhos, mas acabaram cortando as plantas", relatou a advogada Célia Regina Martins, uma das testemunhas.
Vegetação reduzida a tocos e críticas à falta de critério
Quando a reportagem visitou o local na quinta-feira (12), a paisagem havia mudado drasticamente. As áreas ajardinadas apresentavam vegetação rasteira e de médio porte niveladas até a altura do tornozelo, com troncos cortados indicando que algumas árvores já estavam bem desenvolvidas.
A aposentada Vanderci de Luca Cartieviski não poupou críticas ao método utilizado. "Foi assim, sem critério. Não tinha necessidade", afirmou, expressando a indignação compartilhada por outros residentes.
A bióloga Carolina Lauer, especialista em manejo arbóreo, também avaliou a situação e constatou problemas graves. Segundo ela, houve remoção de parte do sub-bosque, que é a vegetação que cresce abaixo das árvores maiores, e a poda não seguiu um padrão adequado. No local, é possível observar situações discrepantes, como vasos idênticos lado a lado, onde um teve toda a vegetação cortada e o outro permaneceu intacto.
Responsabilidade questionada e justificativas oficiais
A praça em questão não possui nome nem placa de identificação e é vizinha ao Parque São Domingos. Pelos registros oficiais, a área faz parte da vegetação do parque. Mapas da plataforma GeoSampa, da Prefeitura de São Paulo, indicam que o espaço é classificado como área de vegetação significativa, formada por maciços florestais heterogêneos e bosque urbano.
Nesses casos, a responsabilidade pela manutenção deveria ser da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, e não da subprefeitura. Em nota, a Subprefeitura de Pirituba/Jaraguá justificou a manutenção alegando necessidade de garantir segurança e visibilidade na área, pois a vegetação teria crescido demais. O órgão afirmou ainda que o trabalho seguiu padrões técnicos da secretaria.
A TV Globo também questionou a empresa Apeng sobre os critérios utilizados no serviço e se havia responsável técnico acompanhando o trabalho, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem. A falta de transparência aumenta a insatisfação da comunidade, que vê anos de crescimento natural destruído em poucos dias.
