Guia de Frutos do Cerrado revela 120 espécies comestíveis após 20 anos de pesquisa
Guia reúne 120 frutos do Cerrado após 20 anos de pesquisa

Guia de Frutos do Cerrado revela 120 espécies comestíveis após duas décadas de pesquisa

Um dos biomas mais ricos e ameaçados do Brasil ganha um novo aliado na valorização de sua biodiversidade: o Guia de Frutos do Cerrado, obra do biólogo e fotógrafo de natureza Marcelo Kuhlmann. Resultado de vinte anos de pesquisas, expedições e vivências no coração do Cerrado, o livro apresenta 120 espécies de frutos nativos comestíveis, reunindo informações científicas, saberes tradicionais e possibilidades gastronômicas em uma publicação acessível e visualmente rica.

Um retrato detalhado do "pomar natural brasileiro"

Entre os destaques do livro estão frutos bastante conhecidos por quem vive no Cerrado, como o pequi, de sabor marcante e presença tradicional na culinária regional, e outros menos populares, como a gabiroba, o chichá-do-cerrado e a marmelada-preta. Há ainda espécies que despertam curiosidade pelo aroma e potencial gastronômico, como a baunilha-do-cerrado, além de frutos amplamente utilizados em doces e licores, como o jenipapo.

Para Marcelo Kuhlmann, o livro nasce de uma relação profunda com o bioma: "O Cerrado é um grande pomar natural. Ao longo desses mais de 20 anos de pesquisa, fui percebendo que muita gente não conhece – ou não reconhece – a riqueza de frutos que existe aqui".

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Organização científica e classificação sensorial inovadora

Organizado por famílias botânicas, o guia traz fotografias detalhadas e informações práticas que ajudam na identificação e no uso das espécies. Um dos diferenciais da publicação é a classificação sensorial, que indica níveis de doçura, acidez, amargor e aroma, um recurso pensado para aproximar ciência e gastronomia.

"A ideia foi justamente facilitar o uso desses frutos no dia a dia, inclusive na cozinha. Mostrar que eles não são só interessantes do ponto de vista ecológico, mas também saborosos e versáteis", explica o autor.

Capítulo inédito sobre frutos tóxicos e informações ecológicas

Nesta terceira edição, totalmente revista e ampliada, a obra ganha um capítulo inédito sobre frutos tóxicos – um tema essencial para quem quer explorar o Cerrado com segurança. "Nem tudo que está no Cerrado pode ser consumido. Por isso, a identificação correta é fundamental. Esse capítulo vem como um alerta, mas também como parte do processo de educação ambiental", destaca Kuhlmann.

Além disso, o livro traz um calendário de frutificação e informações ecológicas que ajudam tanto pesquisadores quanto produtores e coletores, reforçando seu caráter prático e educativo.

Ciência, fotografia e conservação ambiental

Natural de Brasília, Marcelo Kuhlmann Peres é biólogo, mestre e doutor em Botânica pela Universidade de Brasília (UnB), além de fotógrafo de natureza. Em suas obras, ele busca unir ciência e imagem como forma de sensibilização.

"A conservação começa pelo conhecimento. Quando as pessoas passam a reconhecer os frutos, a entender os ciclos, elas criam uma conexão com o bioma. E isso muda a forma como elas se relacionam com eles", afirma o pesquisador.

Colaboração acadêmica e valorização cultural

A publicação conta ainda com a colaboração da pesquisadora Thamyris Carvalho Andrade, doutora em Geografia e professora da Universidade Federal do Tocantins (UFT), cujo trabalho conecta a cultura alimentar do Cerrado ao uso do território, destacando a importância dos frutos na sociobiodiversidade regional.

Voltado a públicos diversos – de chefs e pesquisadores a agricultores, estudantes e amantes da natureza –, o guia reforça a importância de valorizar o Cerrado em diferentes dimensões. "Valorizar os frutos do Cerrado é valorizar também a cultura, os saberes tradicionais e as pessoas que vivem nesse território", conclui Kuhlmann.

Em um cenário de pressão crescente sobre o bioma, o livro surge como um convite: conhecer, experimentar e preservar a riqueza natural do Cerrado brasileiro.

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