Água escura e malcheirosa deságua no mar da Paraíba; autoridades coletam amostras e investigam poluição
A Secretaria de Meio Ambiente de Cabedelo realizou nesta terça-feira (21) a coleta de amostras de uma enxurrada de água escura e com mau cheiro que foi registrada desaguando em um trecho da praia entre os bairros do Bessa e Intermares, localizados nas cidades de João Pessoa e Cabedelo, na Paraíba. O fenômeno chamou a atenção de moradores e autoridades ambientais, que iniciaram imediatamente uma investigação sobre as possíveis causas da contaminação.
Investigação e fiscalização em andamento
De acordo com o secretário de Meio Ambiente de Cabedelo, Saulo Dantas, "nas próximas semanas" será divulgado o resultado das análises laboratoriais das amostras coletadas. Após a conclusão dos estudos, medidas cabíveis serão tomadas para solucionar o problema. Paralelamente, uma fiscalização está sendo conduzida para identificar os órgãos ou entidades responsáveis por uma possível poluição no local.
"De imediato, estamos realizando com nossa equipe da secretaria, a fiscalização e identificação dos órgãos responsáveis por uma possível poluição aqui no Rio Jaguaribe, que acaba desaguando em Cabedelo. Todas as providências serão tomadas. Caso sejam constatados esses indícios de poluição e esgoto, os responsáveis serão notificados e multados, e estaremos levando esse relatório ao Ministério Público", explicou o secretário.
Risco para banhistas e medidas de isolamento
Sobre a segurança dos banhistas, Dantas destacou que a praia de Intermares é própria para banho na maior parte do ano. No entanto, em períodos de grandes chuvas, o material acumulado no Rio Jaguaribe pode desaguar na região, exigindo o isolamento e a identificação do perímetro afetado. Essa medida de precaução será implementada após a emissão do relatório técnico baseado no material coletado.
As imagens registradas mostram uma nítida diferença de coloração entre a água que vem do rio e a do mar, evidenciando a gravidade do episódio. A água escura e malcheirosa tem origem em um rio nas proximidades e deságua diretamente no oceano, levantando preocupações sobre a qualidade ambiental e a saúde pública.
Posicionamento das autoridades e órgãos envolvidos
O g1 entrou em contato com a Superintendência de Administração do Meio Ambiente da Paraíba (Sudema) e com a Companhia de Água e Esgotos do estado (Cagepa) para obter esclarecimentos. A Cagepa respondeu que "não possui nenhum tipo de interligação que possa gerar extravasamento de esgotos para praia ou galerias pluviais" e que mantém monitoramento constante por meio de equipes volantes e sistemas remotos das estações elevatórias.
Quanto a eventuais providências relacionadas ao episódio, o órgão afirmou que, como a rede sob sua gestão não apresenta problemas, "portanto não há o que ser feito pela Cagepa". Já a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de João Pessoa emitiu uma nota informando que continuará trabalhando nas questões relacionadas às águas pluviais e aos sistemas de drenagem, realizando limpeza e manutenção das galerias com equipes da Seman, Seinfra e Emlur. A secretaria ressaltou que a responsabilidade pelo sistema de esgoto é da Cagepa.
Decisão judicial recente sobre poluição nas praias
Este episódio ocorre em um contexto de preocupação judicial com a qualidade das praias de João Pessoa. Em 9 de março, o juiz Antônio Carneiro de Paiva Júnior, da 4ª Vara de Fazenda Pública de João Pessoa, determinou, em decisão liminar, que medidas urgentes sejam adotadas para evitar o lançamento irregular de esgoto nas praias urbanas da cidade, incluindo a do Bessa, onde parte do material foi registrado no domingo (19).
A decisão foi proferida no âmbito de uma Ação Civil Pública movida por uma entidade ambiental, que aponta um cenário de "degradação nas praias de João Pessoa", em trechos como Cabo Branco, Tambaú, Manaíra e Bessa. O magistrado considerou o risco imediato da continuidade do despejo de esgoto no mar, destacando que a exposição de banhistas a águas contaminadas pode provocar doenças e comprometer o equilíbrio do ecossistema marinho.
Para evitar danos maiores, o juiz determinou que a Prefeitura de João Pessoa, a Cagepa, a Sudema e o Estado da Paraíba apresentem, no prazo de 30 dias, um plano de ação para interromper o lançamento de esgoto não tratado na orla. A decisão também estabelece a necessidade de um monitoramento mais rigoroso da qualidade da água, com coleta de amostras no momento em que os efluentes são lançados no mar, além da inclusão da análise da qualidade da areia das praias nos relatórios oficiais.
A situação reforça a urgência de ações coordenadas entre os órgãos públicos para garantir a preservação ambiental e a segurança da população, especialmente em regiões costeiras tão importantes para o turismo e a qualidade de vida no estado da Paraíba.



