Desmatamento na Amazônia já é responsável por 75% da redução de chuvas, revela estudo
Um estudo recente do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) trouxe um alerta preocupante: o desmatamento na região amazônica já é responsável por 75% da redução de chuvas observada. A pesquisa, que analisou dados de 2025, destaca o Pará como o estado mais afetado, concentrando sete das dez áreas protegidas mais pressionadas pela destruição florestal.
Pará lidera ranking de áreas protegidas mais pressionadas
De acordo com o relatório do Imazon, as unidades de conservação no Pará que enfrentam maior pressão incluem três áreas estaduais, duas federais e duas terras indígenas. O ranking das áreas protegidas mais pressionadas é liderado pela Resex Chico Mendes no Acre, seguida pela APA Triunfo do Xingu no Pará em segundo lugar.
As outras áreas paraenses no topo da lista são:
- TI Andirá-Marau (compartilhada com Amazonas) em 3º lugar
- TI Cachoeira Seca do Iriri em 5º lugar
- APA do Lago de Tucuruí em 6º lugar
- APA Arquipélago do Marajó em 8º lugar
- Resex Verde para Sempre em 9º lugar
- APA do Tapajós em 10º lugar
Metodologia que analisa pressão e ameaça
O Imazon adota uma abordagem inovadora que considera tanto o desmatamento registrado no interior das áreas protegidas (classificado como "pressão") quanto as ocorrências no entorno (identificadas como "ameaça"). Esta metodologia permite identificar não apenas onde a floresta já está sob maior impacto, mas também onde há maior risco de novos danos.
Carlos Souza Jr., pesquisador da ONG, enfatizou: "A recorrência evidencia a urgência de integrar esforços institucionais e garantir que as comunidades estejam no centro das estratégias de proteção. A gestão compartilhada e a atuação coordenada são fundamentais para conter o avanço da perda".
Pará também lidera em áreas ameaçadas
O estado do Pará se destaca igualmente entre as áreas mais ameaçadas, ou seja, aquelas com destruição no entorno. Cinco locais, total ou parcialmente localizados no estado, aparecem no ranking de ameaça, incluindo a APA do Lago de Tucuruí e as terras indígenas Trincheira/Bacajá e Arara.
Bianca Santos, pesquisadora do Imazon, alerta: "Sem ações estruturadas e coordenadas, a tendência é de agravamento do quadro, com a ameaça se tornando pressão e comprometendo a integridade do meio ambiente e os direitos e modos de vida tradicionais".
Terras indígenas em situação crítica
As terras indígenas Trincheira/Bacajá e Arara, ambas no Pará, registraram os maiores níveis de ameaça em 2025, considerando as ocorrências de desmatamento no entorno de seus limites. A TI Trincheira/Bacajá aparece no topo do ranking pelo segundo ano consecutivo, enquanto a TI Arara avançou da terceira para a segunda colocação, evidenciando a intensificação do risco.
Quanto à pressão direta, as terras indígenas Andirá-Marau e Cachoeira Seca do Iriri apresentaram os piores indicativos. O relatório mostra uma forte repetição: nove das dez terras indígenas com maiores índices em 2025 já tinham aparecido entre as mais impactadas no período anterior.
Impacto direto no regime de chuvas
A conexão entre desmatamento e redução de chuvas é um dos aspectos mais alarmantes do estudo. A perda de cobertura florestal interfere diretamente no ciclo hidrológico da Amazônia, que é crucial não apenas para a região, mas para todo o continente sul-americano.
Os pesquisadores destacam que a destruição contínua das áreas protegidas pode agravar ainda mais esse cenário, com consequências imprevisíveis para o clima regional e global. O g1 solicitou posicionamento dos órgãos ambientais competentes sobre os dados apresentados, mas até a última atualização da reportagem, ainda aguardava resposta.