Laudo da PMA revela combinação fatal por trás de mortandade de peixes no Rio Imaruim, em SC
Um laudo da Polícia Militar Ambiental (PMA) divulgado na segunda-feira (20) expôs a combinação de fatores ambientais e antrópicos que resultou na morte de milhares de peixes no Rio Imaruim, que corta a cidade de Palhoça, na Grande Florianópolis, Santa Catarina. O caso, que ganhou repercussão em fevereiro quando moradores flagraram cardumes inteiros boiando na água, foi investigado através de análises microbiológicas, físico-químicas e identificação de compostos potencialmente associados à contaminação.
Combinação de fatores ambientais e ação humana
Segundo o documento oficial, não houve uma causa única para a tragédia ambiental, mas sim uma conjunção perigosa de elementos que comprometeram severamente o ecossistema aquático. O laudo foi elaborado com base em amostras coletadas durante fiscalização ambiental e considera que a situação pode ter se agravado devido à ação humana, embora não especifique detalhes sobre responsabilidades individuais ou empresariais.
Os principais fatores identificados que atuaram em sinergia foram:
- Água excessivamente ácida com pH de 4,9, nível que compromete diretamente a fisiologia dos peixes
- Temperatura elevada da água registrada em 28,6°C, condição que reduz o oxigênio dissolvido enquanto aumenta o metabolismo dos animais aquáticos
- Presença de surfactantes indicando contaminação por esgoto doméstico, que aumenta significativamente a carga orgânica na água
Efeito dominó ecológico
Esta combinação criou um cenário especialmente hostil para a vida aquática. A água ácida e quente, somada à carga orgânica do esgoto, provocou um aumento na demanda bioquímica de oxigênio, favorecendo a proliferação descontrolada de microrganismos que consomem ainda mais o oxigênio disponível. O documento conclui que a limitação natural de mobilidade da espécie Manjubinha (Cetengraulis edentulus), associada à drástica redução de oxigênio na água, "aumentam significativamente a vulnerabilidade da espécie, são fatores que podem ter justificado a mortandade concentrada observada".
Embora o número exato de peixes mortos não tenha sido divulgado oficialmente, relatos de moradores e imagens que circularam amplamente nas redes sociais mostravam milhares de exemplares da espécie Manjubinha boiando sem vida nas águas do rio. Em fevereiro, o Instituto do Meio Ambiente (IMA) informou que realizava um balanço da quantidade de animais encontrados, mas não divulgou números finais.
Repercussão e investigações em andamento
O caso chamou atenção nacional pela dimensão do impacto ambiental e pela preocupação com a qualidade das águas na região. Moradores da área relataram choque ao presenciarem cardumes inteiros sem vida, levantando questões sobre a gestão ambiental local e possíveis fontes de contaminação.
A prefeitura de Palhoça não se manifestou sobre o assunto até a última atualização disponível, deixando dúvidas sobre medidas corretivas ou preventivas que possam ser implementadas para evitar novos episódios similares. O laudo da PMA serve como documento técnico fundamental que poderá embasar ações futuras de fiscalização, monitoramento e possíveis responsabilizações relacionadas ao incidente ambiental.
Especialistas ambientais alertam que episódios como este evidenciam a fragilidade dos ecossistemas aquáticos frente a pressões combinadas de fatores naturais e intervenção humana, destacando a necessidade de monitoramento constante e políticas públicas eficazes para proteção dos recursos hídricos.



