Cientistas brasileiros criam 'termômetro' para avaliar saúde do solo em manguezais
Cientistas criam 'termômetro' para saúde do solo em manguezais

Cientistas brasileiros desenvolvem 'termômetro' para medir a saúde do solo em manguezais

O solo rico em nutrientes e matéria orgânica é o coração dos manguezais, ecossistemas essenciais para o funcionamento ambiental. Agora, uma nova ferramenta de monitoramento promete revolucionar a avaliação dessas áreas: o Índice de Saúde do Solo (ISS). Desenvolvido por pesquisadores brasileiros, este mecanismo permite mensurar com precisão a qualidade do solo em manguezais, que atuam como verdadeiros "berçários" da vida marinha.

Importância dos manguezais como sumidouros de carbono

Zonas de transição entre a terra e o mar, os manguezais são poderosos sumidouros de carbono, absorvendo dióxido de carbono (CO2) da atmosfera e armazenando-o no solo — um processo conhecido como carbono azul. Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), esses habitats podem ser até dez vezes mais eficientes na remoção de gases de efeito estufa do que as florestas tropicais.

O Brasil desempenha um papel fundamental nesse cenário, abrigando a segunda maior área de manguezal do planeta e concentrando aproximadamente 8,5% dos estoques mundiais desse carbono, conforme dados do Centro de Estudos de Carbono em Agricultura Tropical (CCarbon).

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Como funciona o Índice de Saúde do Solo

Publicado na revista Scientific Reports, o estudo detalha que o ISS opera em uma escala de 0 a 1. Enquanto o 0 representa solos de pior qualidade, o 1 indica o funcionamento pleno das funções ecológicas. O índice compila aspectos biológicos, físicos e químicos para avaliar se o solo está cumprindo seu papel no ambiente.

O método foi testado no estuário do Rio Cocó, no Ceará, revelando resultados claros:

  • Áreas preservadas: atingiram média de 0,99, indicando solo de alta qualidade.
  • Áreas degradadas: apresentaram média de 0,25, evidenciando a perda de funções vitais.

Laís Coutinho Zayas Jimenez, autora principal do estudo e chefe do setor de manguezais da Fundação Florestal, compara o monitoramento a um "check-up" médico. "Assim como exames indicam o funcionamento do organismo, os indicadores do solo mostram sua capacidade de sustentar funções essenciais. O objetivo é possibilitar que até não especialistas possam monitorar essa saúde com segurança", explica Laís.

Desafios da conservação dos manguezais

Apesar da importância global, os manguezais enfrentam ameaças históricas. Dados da Perspectiva Global das Zonas Úmidas de 2025 indicam que o mundo perdeu milhões de hectares desse ecossistema nos últimos cinquenta anos, com um quarto das regiões restantes em estado degradado.

A recuperação, no entanto, não é simples. "Depende de condições do meio, como clima, e das características específicas do solo", ressalta Laís. Ela reforça que a perda dessas áreas afeta toda a teia alimentar oceânica e a proteção da costa contra erosão e tempestades.

A boa notícia é que o Brasil apresenta tendências positivas. Nas últimas décadas, os índices não apontam mais perdas significativas de áreas de mangue. Para a pesquisadora, esse resultado se deve ao avanço do conhecimento científico e à alta taxa de cobertura de manguezais por Unidades de Conservação (UCs), que garantem a proteção legal desses locais.

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