Estudo da UFCG alerta para adequação do Canal das Piabas após mortandade de peixes no Açude Velho
Canal das Piabas precisa de adequação após peixes mortos, diz estudo

Estudo da UFCG destaca necessidade de adequação do Canal das Piabas após mortandade de peixes no Açude Velho

Um estudo realizado pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) aponta a necessidade urgente de adequação do Canal das Piabas, principal afluente que deságua no Açude Velho, cartão-postal de Campina Grande. A recomendação surge após a retirada de toneladas de peixes mortos do reservatório, evento que acendeu alertas sobre a qualidade da água que chega ao local.

Origem e degradação do canal

A pesquisadora responsável pelo estudo, Gabriele Souza, explicou que o Canal das Piabas tem origem em um riacho natural, mas, ao longo dos anos, passou a receber despejos de esgoto e outros materiais poluentes. Parte dessa água, já comprometida, segue diretamente para o Açude Velho, contribuindo para a degradação ambiental do reservatório.

O canal recebeu esse nome por abrigar piabas, peixes de pequeno porte comuns em rios brasileiros. Com o avanço da urbanização, a ocupação desordenada nas margens do riacho levou ao despejo de efluentes sanitários sem tratamento, deteriorando a qualidade da água.

Impactos na comunidade e no meio ambiente

Além dos danos ambientais, a poluição do canal afeta diretamente a população que vive nas proximidades. Moradores de comunidades como a Rosa Mística, na Zona Norte de Campina Grande, relatam problemas de saúde, falta de saneamento básico e prejuízos à qualidade de vida.

Graça Farias, liderança local, descreveu a transformação do local: "Aqui era um riacho limpo. A gente via as piabinhas pular nessas águas. A diferença é hoje a gente vê só o esgoto". Ela criticou a falta de ações efetivas das gestões públicas para resolver a situação.

Consequências e soluções propostas

A pesquisadora Gabriele Souza destacou que a água do canal apresenta níveis de oxigênio iguais a zero, inviabilizando a vida de espécies aquáticas e favorecendo a proliferação de bactérias. Isso contribuiu para a mortandade de peixes no Açude Velho, registrada em janeiro, com mais de 10 toneladas retiradas.

Diante desse cenário, o estudo propõe soluções baseadas na natureza, como a implantação de um jardim flutuante, que utiliza plantas para filtrar a água e absorver contaminantes. Essa iniciativa, vinculada ao CNPq, já foi testada em áreas da UFCG com resultados positivos.

No entanto, a pesquisadora ressalta que soluções estruturais, como o fim do lançamento de esgoto, ainda estão distantes, exigindo ações imediatas para proteger o Açude Velho e melhorar as condições de vida das comunidades afetadas.