Monitor ambiental descobre biscoitos das Filipinas em praia do litoral de São Paulo e faz alerta sobre resíduos internacionais
Um caso curioso chamou a atenção nas redes sociais nesta semana quando Guilherme de Paula, monitor ambiental do Parque Estadual do Itinguçu, de 34 anos, encontrou pacotes de biscoitos SkyFlakes, de origem filipina, na praia do Arpoador, em Peruíbe, no litoral de São Paulo. O fato ocorreu na segunda-feira (30) e rapidamente se tornou um exemplo vívido do problema do lixo internacional que chega às praias brasileiras.
Biscoito crocante após viagem oceânica
Guilherme relatou ao g1 que seguia para o trabalho quando encontrou seis pacotes do biscoito na faixa de areia. As embalagens estavam intactas e com aparência recente, apesar de terem sido transportadas pelo mar desde as Filipinas. Em um vídeo publicado nas redes sociais, o monitor ambiental experimentou um dos biscoitos e afirmou, com surpresa, que ainda estava "crocante".
Os SkyFlakes são biscoitos do tipo cracker, conhecidos pela textura leve e crocante e pelo sabor amanteigado. O produto é fabricado desde a década de 1960 pela empresa M.Y. San, nas Filipinas, e sua presença em uma praia paulista ilustra como os resíduos podem viajar milhares de quilômetros através das correntes marítimas.
Problema recorrente de lixo internacional
Em tom de alerta, Guilherme destacou que encontra com frequência resíduos na praia do Arpoador, principalmente garrafas PET, vindas de diferentes partes do mundo. "Encontro materiais da China, Malásia, Estados Unidos, Nova Zelândia e outros países regularmente", explicou o monitor ambiental.
Segundo ele, a localização geográfica da praia do Arpoador - que fica de frente para o continente, formando uma espécie de "bacia" - acaba concentrando os resíduos levados pelo mar. Esta característica explica a presença recorrente de lixo internacional no local, um problema que vai muito além dos biscoitos filipinos.
Conscientização ambiental como ferramenta
Guilherme, que é responsável por recepcionar turistas que chegam de barco à praia do Arpoador para visitar a unidade de conservação, destacou a importância da educação ambiental. "Quando gravei o vídeo, estava pensando na conscientização do público", afirmou. "Não existe 'jogar fora', já que todo resíduo acaba indo parar em algum lugar."
Os profissionais do parque recolhem esses materiais sempre que possível e utilizam os itens encontrados como ferramenta de educação ambiental para conscientizar os turistas sobre os impactos do descarte irregular de lixo.
Parque Estadual do Itinguçu: conservação e educação
O Parque Estadual do Itinguçu é uma unidade de conservação que protege áreas de Mata Atlântica, além de praias, restingas e manguezais. O acesso a algumas regiões, como a praia do Arpoador, é feito por trilhas ou embarcações, sempre com acompanhamento de monitores ambientais.
Além de preservar a biodiversidade, o parque também desenvolve ações de educação ambiental, orientando visitantes sobre:
- A importância da conservação dos ecossistemas costeiros
- Os impactos do lixo descartado de forma irregular
- Como os resíduos podem viajar longas distâncias pelas correntes marítimas
- A responsabilidade individual e coletiva na gestão de resíduos
O g1 entrou em contato com a Prefeitura de Peruíbe sobre a presença de lixo estrangeiro na região, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. O caso dos biscoitos filipinos serve como um alerta sobre a dimensão global da poluição marinha e como ela afeta diretamente o litoral brasileiro.



