Amazonas lidera risco de desmatamento na Amazônia para 2026, com 1.000 km² ameaçados
O Amazonas emerge como um dos estados mais ameaçados pelo desmatamento na Amazônia no ano de 2026, segundo projeções da plataforma de inteligência artificial PrevisIA. Dados recentes indicam que aproximadamente 1.000 km² do território amazonense estão sob risco de devastação, o que representa cerca de 18% de toda a área ameaçada na região amazônica.
Municípios críticos no sul do Amazonas
No estado, dois municípios localizados no sul do Amazonas, que integram a região conhecida como Amacro, figuram entre as dez cidades em situação mais crítica no ranking nacional. Apuí ocupa o quarto lugar, enquanto Lábrea está na sexta posição. A Amacro, uma fronteira agrícola que avança sobre áreas de floresta, tem sido palco de intensa pressão ambiental.
Um estudo do Greenpeace identificou 27 planos de manejo que resultaram na derrubada de áreas florestais na junção dos três estados que compõem a região. Desse total, 16 planos estavam localizados dentro de terras públicas federais, destacando a gravidade da situação.
Panorama geral da Amazônia e pressões locais
No âmbito geral da Amazônia, a PrevisIA calcula que 1.686 km² estarão sob risco muito alto ou alto de desmatamento em 2026, correspondendo a 31% do total. Outros 1.056 km² (20%) aparecem em risco moderado, e 2.759 km² (50%) em risco baixo ou muito baixo.
No Amazonas, a pressão se concentra principalmente em áreas de expansão agrícola e em regiões próximas a estradas. Desde 2020, cerca de 95% do desmatamento ocorre a até 5,5 km de uma via de acesso, evidenciando a correlação direta entre infraestrutura e degradação ambiental.
Ameaças a terras indígenas e unidades de conservação
Além dos municípios, o Amazonas também possui terras indígenas e unidades de conservação estaduais entre as áreas mais ameaçadas. O levantamento mostra que 357 km² estão sob risco em territórios indígenas e outros 598 km² em unidades de conservação, reforçando a necessidade urgente de atuação local para proteger esses espaços vitais.
"A análise estadual é fundamental para que os órgãos competentes possam atuar em defesa da floresta. No caso do Amazonas, os municípios de Apuí e Lábrea são estratégicos para conter o avanço da devastação", afirma Alexandra Alves, pesquisadora do Imazon.
O que é a PrevisIA e sua importância
Lançada em 2021 pelo Imazon em parceria com a Microsoft e o Fundo Vale, a PrevisIA é uma plataforma que utiliza inteligência artificial para indicar áreas sob risco de desmatamento na Amazônia, fornecendo dados cruciais para ações preventivas. Sua metodologia analisa variáveis como:
- Presença de estradas legais e ilegais
- Desmatamento já ocorrido
- Classes de territórios
- Distância para áreas protegidas
- Rios, topografia e infraestrutura urbana
- Informações socioeconômicas
"A ferramenta também possibilita análises municipais, favorecendo a adoção de políticas públicas pelas secretarias de meio ambiente e demais órgãos ligados às prefeituras na proteção da floresta", explica Alexandra Alves.
Esses dados ressaltam a importância de estratégias locais e nacionais para combater o desmatamento, especialmente em regiões críticas como o Amazonas, onde a preservação da floresta é essencial para o equilíbrio ambiental global.