Justiça inglesa exclui 240 mil atingidos de ação contra BHP por tragédia de Mariana
Justiça inglesa exclui 240 mil de ação contra BHP por Mariana

Justiça inglesa exclui 240 mil atingidos de ação contra BHP por tragédia de Mariana

A Justiça do Reino Unido determinou a retirada de aproximadamente 240 mil autores da ação coletiva que tramita contra a mineradora BHP pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, Minas Gerais. O número corresponde a cerca de 38% do total de demandantes no processo, que busca indenizações pela tragédia ambiental ocorrida em 2015.

Critério para exclusão baseado em acordos no Brasil

Segundo o escritório de advocacia Pogust Goodhead, que representa os atingidos, a decisão judicial atendeu a um pedido da BHP e se baseou no entendimento de que aqueles que firmaram acordos com quitação plena e definitiva no Brasil e já receberam indenizações não podem prosseguir com a ação na Inglaterra. As exclusões atingem especificamente participantes do Novo Geral (com algumas exceções), do Programa de Indenização Definitiva (PID) e do programa voltado a agricultores familiares e pescadores individuais (Agropesca).

O escritório emitiu uma nota criticando a medida, afirmando que ela "reflete a estratégia adotada há anos pelas mineradoras, que têm atuado de forma coordenada para enfraquecer o processo internacional". Ainda assim, ressaltou que a decisão é estritamente processual e não questiona a legitimidade das experiências individuais dos atingidos.

Cerca de 380 mil autores permanecem no processo

Com a exclusão, cerca de 380 mil autores continuam na ação e poderão buscar indenizações pela tragédia na Justiça inglesa. Em novembro de 2025, o Tribunal Superior de Londres já havia considerado a BHP responsável pelo rompimento da barragem, apontando negligência grave da empresa, que ignorou alertas técnicos e permitiu a elevação da estrutura mesmo diante de riscos evidentes.

Segunda fase do julgamento é adiada para 2027

A Justiça inglesa também adiou a segunda fase do julgamento, que definirá os valores das indenizações a serem pagas pela BHP. Originalmente prevista para outubro de 2026, a etapa foi remarcada para abril de 2027. De acordo com o escritório de advocacia, a mudança é necessária para garantir um "julgamento justo" e assegurar que o caso seja apresentado da forma mais robusta possível.

Nesta fase, o tribunal analisará:

  • As categorias de prejuízos sofridos pelos atingidos
  • As provas necessárias para avaliar e quantificar os danos
  • A expectativa é que o processo se estenda até 2028

Contexto da tragédia de Mariana

O rompimento da barragem de Fundão, da Samarco, ocorreu em 5 de novembro de 2015, liberando aproximadamente 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração. A lama destruiu comunidades como Bento Rodrigues, contaminou o Rio Doce e afluentes, e chegou ao Oceano Atlântico no Espírito Santo. A tragédia resultou em:

  1. 19 mortes
  2. 49 municípios atingidos direta ou indiretamente
  3. Impactos ambientais de longa duração na bacia do Rio Doce

Vale ressaltar que, enquanto a Justiça inglesa já condenou a BHP, ninguém foi condenado na Justiça brasileira pelos eventos. A Vale, acionista da Samarco junto com a BHP, não faz parte da ação no Reino Unido, mas as empresas têm acordo para dividir os valores de eventual condenação.