Durante uma viagem ao Amazonas para fotografar aves, o médico Caio Osoegawa se deparou com um animal raro: uma irara (Eira barbara) de pelagem totalmente clara, em tons de creme e amarelo. O flagrante ocorreu na estrada entre Presidente Figueiredo e Manaus.
Caio contou que, a princípio, pensou ser um gato doméstico, mas logo percebeu que era algo diferente. Ao olhar pela câmera, confirmou que se tratava de uma irara com coloração incomum. O animal o encarou por alguns instantes antes de sumir na mata.
Raridade em dose dupla
A irara é um mustelídeo de médio porte, com pelagem normalmente escura. Apesar de ampla distribuição na América Central e do Sul, não é avistada com frequência. A combinação do avistamento direto com a coloração atípica torna o registro notável, segundo a Dra. Erika Hingst-Zaher, diretora do Museu Biológico do Instituto Butantan.
Registros anteriores de iraras hipopigmentadas na Amazônia concentram-se em Oriximiná (PA), sul de Roraima e arredores de Manaus.
Mutação genética
Sem análise de DNA, é difícil confirmar o quadro exato. Pesquisadores acreditam em leucismo ou xantocromismo. O animal apresenta pelagem creme a amarela-clara, olhos pigmentados e máscara escura preservada, padrão típico de leucismo em iraras. No entanto, a literatura recente sugere que muitos casos classificados como leucismo podem ser xantocromismo, com predominância de pigmentos amarelo-alaranjados.
A condição é rara, mas entre carnívoros brasileiros com coloração anômala, as iraras são as mais documentadas, com pelo menos 18 ocorrências até 2024. A mutação não é doença ou sinal de fraqueza, mas sim característica recessiva.
Alerta para o ecossistema
O aumento de registros de leucismo em áreas fragmentadas pode indicar perda de conectividade populacional e endogamia. Segundo Erika, o leucismo serve como sinal indireto de isolamento populacional. Registros como este trazem dados importantes para a conservação da espécie e saúde do ecossistema.



