UE emite alerta urgente sobre crise energética prolongada devido à guerra no Irã
O comissário europeu para energia, Dan Jorgensen, fez um apelo urgente nesta terça-feira (31/03) aos 27 países-membros da União Europeia, instando-os a se prepararem para interrupções prolongadas nas cadeias de fornecimento de energia. A medida vem em resposta ao agravamento da guerra no Irã, que tem pressionado significativamente os mercados globais de petróleo e gás, colocando em risco a segurança energética do bloco europeu.
Plano de dez pontos para economizar combustível
Em uma carta enviada a todos os países-membros, Jorgensen incentivou a adoção imediata de um plano de dez pontos elaborado pela Agência Internacional de Energia (AIE), originalmente criado em 2022 durante a guerra na Ucrânia. As medidas propostas incluem:
- Incentivo ao trabalho remoto (home office)
- Promoção do car sharing (compartilhamento de carros)
- Estímulo ao uso do transporte público
- Redução do limite de velocidade em autoestradas
- Medidas para substituição do gás de cozinha por energia elétrica
- Redução de viagens aéreas
O apelo ocorre enquanto ministros de energia da UE avaliam como lidar com uma escassez global diária de 11 milhões de barris de petróleo e mais de 300 milhões de metros cúbicos de gás natural liquefeito (GNL), diretamente provocada pelo conflito no Oriente Médio.
Impactos econômicos já são significativos
Desde o início do conflito, os preços na União Europeia registraram aumentos alarmantes: cerca de 70% para o gás e 60% para o petróleo. Em apenas 30 dias de guerra, essa alta já adicionou impressionantes 14 bilhões de euros aos custos de importação de combustíveis fósseis do bloco europeu.
"Não devemos nos iludir: as consequências desta crise para os mercados de energia não serão de curta duração. Porque não serão", declarou Jorgensen esta semana. "Esta crise demonstra, mais uma vez, que a Europa enfrenta uma vulnerabilidade fundamental a choques energéticos externos. E isto está ligado à nossa dependência de combustíveis fósseis importados."
Risco crescente de escassez no setor de transportes
O comissário europeu destacou que o setor de transportes europeu enfrenta custos crescentes e escassez de suprimentos, devido à forte dependência do Golfo Pérsico. A UE depende dessa região para mais de 40% de suas importações de querosene de aviação e diesel, com risco agravado pela disponibilidade limitada de fornecedores alternativos e capacidade de refino dentro do próprio bloco.
"A segurança do abastecimento da União Europeia continua garantida. Mas temos de estar preparados para uma possível interrupção prolongada do comércio internacional de energia", afirmou Jorgensen antes de uma reunião virtual dos ministros da Energia da UE. "É por isso que precisamos de agir já. E precisamos de agir em conjunto. Só trabalhando em conjunto podemos ser mais fortes e proteger os nossos cidadãos e empresas de forma mais eficaz."
Preços do petróleo disparam e analistas preveem piora
Os alertas ocorrem em meio ao crescente temor de que a guerra entre EUA, Israel e Irã possa se prolongar, aumentando o risco de desabastecimento a longo prazo. O conflito já fez o petróleo Brent saltar para 119 dólares por barril em determinado momento, bem acima dos 70 dólares antes da guerra. Alguns analistas alertam que os preços podem subir para até 200 dólares com o agravamento do conflito.
Nesta quarta-feira (1º/4), Fatih Birol, chefe da AIE, declarou que os problemas de abastecimento de petróleo decorrentes da guerra aumentarão em abril e afetarão diretamente a Europa. "A perda de petróleo em abril será o dobro da perda de março, além da perda de GNL", afirmou Birol em um podcast. "O maior problema hoje é a falta de querosene de aviação e diesel. Estamos vendo isso na Ásia, mas creio que logo, em abril ou maio, chegará à Europa."
Comparação com crises anteriores e medidas recomendadas
Por enquanto, os países europeus ainda não adotaram medidas drásticas similares às tomadas durante as crises do petróleo da década de 1970, quando governos impuseram racionamento de gasolina e dias sem circulação de veículos particulares. No entanto, o chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, advertiu que os efeitos da guerra podem atingir a Europa de maneira similar à pandemia de covid-19 em 2020-2021.
"Se esta guerra se transformar num grande conflito regional, poderá sobrecarregar a Alemanha e a Europa ainda mais do que vivenciamos recentemente durante a pandemia da covid-19 ou no início da guerra na Ucrânia", declarou Merz.
Na mesma carta, Jorgensen recomendou que os países-membros adiem a manutenção das refinarias de petróleo para manter a produção e se preparem para garantir armazenamento adequado de gás para o próximo inverno. O alerta vem mesmo depois de os 32 membros da AIE liberarem 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas estratégicas, o maior desbloqueio de estoques da história da organização.



