Energia renovável supera carvão pela primeira vez e reduz uso global de combustíveis fósseis
Renováveis superam carvão pela 1ª vez e reduzem fósseis globalmente

Energia renovável supera carvão pela primeira vez na história moderna

Pela primeira vez na história moderna, as energias renováveis ultrapassaram o carvão como principal fonte de eletricidade no mundo, segundo dados divulgados pelo centro de pesquisas Ember. Esta mudança estrutural no sistema energético global indica que o uso de combustíveis fósseis pode ter entrado em trajetória de declínio consistente, marcando um ponto de virada na transição energética mundial.

Crescimento recorde da energia solar lidera transformação

O principal motor dessa transformação histórica foi a energia solar, que registrou crescimento recorde em 2025. A geração aumentou em impressionantes 636 terawatts-hora (TWh), representando o maior avanço anual já observado para qualquer fonte de eletricidade, com exceção apenas de oscilações pontuais após crises econômicas globais.

Este salto foi tão expressivo que superou, sozinho, o potencial energético de todo o gás natural liquefeito (GNL) transportado por rotas estratégicas globais no período. Com esse desempenho extraordinário, a energia solar respondeu por aproximadamente 75% do aumento da demanda mundial de eletricidade no ano, consolidando-se como a força motriz da transição energética.

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Queda estrutural dos combustíveis fósseis

A geração a partir de combustíveis fósseis registrou queda de 0,2% em 2025, marcando a primeira redução atribuída a mudanças estruturais no setor energético, e não a choques econômicos temporários como ocorreu durante a crise financeira de 2008 ou a pandemia de Covid-19.

O carvão, que por décadas liderou a matriz elétrica global, respondeu por menos de um terço da eletricidade mundial pela primeira vez na história moderna. Ainda assim, permanece como a maior fonte individual, especialmente devido ao peso significativo de economias asiáticas que tradicionalmente dependem desta fonte energética.

China e Índia começam a inverter tendência histórica

Mesmo em regiões historicamente dependentes do carvão, surgem sinais claros de mudança estrutural. China e Índia, responsáveis por uma fatia significativa das emissões globais de gases de efeito estufa, registraram queda na geração fóssil em 2025, impulsionadas pela rápida e massiva expansão de energia limpa em seus territórios.

Este movimento é particularmente relevante porque os dois países concentram cerca de 40% da geração global baseada em combustíveis fósseis. A inflexão observada sugere que a transição energética começa a ganhar escala também em mercados emergentes, tradicionalmente mais resistentes a mudanças na matriz energética.

Desacoplamento entre crescimento econômico e emissões

Outro dado central do relatório é o início de um desacoplamento histórico entre crescimento econômico e emissões no setor elétrico. Apesar de a demanda global por eletricidade ter crescido 2,8% em 2025, as emissões associadas caíram significativamente.

A intensidade de carbono da eletricidade, que mede a quantidade de CO₂ emitida por unidade gerada, recuou quase 3% no ano e acumula queda expressiva nas últimas duas décadas. Este movimento é considerado essencial para cumprir as metas estabelecidas pelo IPCC e limitar o aquecimento global a 1,5 °C, conforme estabelecido no Acordo de Paris.

Eletrificação e armazenamento aceleram transformação

A eletrificação de setores como transporte começa a reforçar essa transformação energética de maneira significativa. Veículos elétricos já representam mais de um quarto das vendas globais de automóveis e estão reduzindo a demanda por petróleo em milhões de barris por dia.

Ao mesmo tempo, o avanço tecnológico no armazenamento de energia, com forte queda no custo de baterias, permite ampliar consideravelmente o uso de fontes intermitentes como solar e eólica, aumentando a estabilidade do sistema elétrico global e tornando as renováveis cada vez mais competitivas economicamente.

Próxima década será decisiva para consolidação da transição

Analistas especializados avaliam que, mantido o ritmo atual de expansão das renováveis, a geração de energia a partir de combustíveis fósseis deve atingir um platô ainda nesta década e entrar em queda consistente a partir dos anos 2030.

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O cenário futuro, porém, depende de diversos fatores críticos:

  • Políticas públicas de incentivo às energias limpas
  • Investimentos contínuos em infraestrutura de transmissão e distribuição
  • Ritmo de crescimento da demanda energética global
  • Expansão acelerada de data centers e eletrificação industrial

A virada registrada em 2025 já é considerada um marco histórico no setor energético mundial. Mais de um século após o domínio absoluto do carvão na matriz elétrica global, o sistema começa a ser redesenhado de forma estrutural, agora puxado por tecnologias limpas que se mostram cada vez mais eficientes, acessíveis e competitivas economicamente.