Preço-teto de leilão de energia frustra empresas e põe MME sob pressão
O preço-teto estabelecido para o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) de 2026, destinado à contratação de usinas termelétricas, tem gerado insatisfação entre as empresas do setor e colocado o Ministério de Minas e Energia (MME) em uma situação de pressão. A definição, aprovada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) nesta terça-feira, 10 de fevereiro de 2026, está sendo considerada inviável por muitos agentes do mercado, que já buscam reverter a decisão antes da realização do certame, marcado para 18 de março.
Valores definidos e reação do mercado
De acordo com a proposta do ministério, os valores foram fixados da seguinte forma:
- Para contratação de potência termelétrica com suprimento em 2026 e 2027, o preço-teto ficou em R$ 1,12 milhão por MW/ano.
- Para novos empreendimentos com entrega entre 2028 e 2031, o valor foi definido em R$ 1,6 milhão por MW/ano.
- Usinas termelétricas existentes permanecem com o mesmo valor de R$ 1,12 milhão por MW/ano.
Esses números representam menos da metade do que o mercado considera exequível para viabilizar a contratação da energia necessária nos próximos anos. Fontes do setor relatam que diversas empresas já procuraram o MME nesta terça-feira, argumentando que o preço-teto aprovado não cobre uma parte significativa dos custos básicos dos projetos, o que poderia inviabilizar sua participação no leilão.
Riscos e consequências potenciais
Agentes do setor energético alertam para um alto risco de que, sem uma revisão dos valores, não haja empresas suficientes interessadas em participar do leilão. Isso prejudicaria diretamente o objetivo principal do certame, que é garantir a segurança e a estabilidade do sistema elétrico nacional. A frustração das empresas com os preços-teto pode levar a uma corrida contra o tempo para tentar ajustar as condições antes da data marcada, aumentando a pressão sobre o MME para reconsiderar sua proposta.
O cenário atual coloca em evidência os desafios na balança entre custos e viabilidade em leilões de energia, um tema crucial para a economia e a infraestrutura do país. A situação também reflete tensões políticas e técnicas, como mencionado no contexto de desentendimentos no Senado, que podem influenciar decisões futuras no setor energético.