MP investiga denúncia de eutanásia irregular em centro animal de Joinville
MP investiga eutanásia em centro animal de Joinville

MP de Santa Catarina investiga denúncia de eutanásias irregulares em centro animal de Joinville

O Ministério Público de Santa Catarina abriu uma notícia de fato para apurar uma grave denúncia envolvendo o Centro de Bem-Estar Animal (CBEA) de Joinville, a cidade mais populosa do estado. Segundo a acusação, o estaria realizando eutanásias em animais acolhidos com o único objetivo de liberar baias, devido à superlotação do local.

Promotor solicita relatório detalhado em 15 dias

O promotor Ricardo Paladino, por meio de ofício, solicitou à Secretaria de Meio Ambiente (Sama) um relatório completo em 15 dias. O documento deve conter:

  • Todos os animais eutanasiados pelo CBEA desde outubro de 2023
  • Ficha completa de atendimento do cachorro Daniel, caso específico citado na denúncia
  • Justificativa detalhada para a eutanásia realizada no cão Daniel

A prefeitura de Joinville, questionada sobre o caso, informou nesta quinta-feira (29) que está fazendo um levantamento detalhado e ressaltou que a eutanásia somente é utilizada como última alternativa. A administração municipal também destacou que todas as 130 vagas do centro estão ocupadas, mas possui contratos e convênios com ONGs e Associações de Proteção Animal para ampliar a capacidade.

Denúncia detalha caso do cachorro Daniel

No relato anexado à notícia de fato de 23 de janeiro, uma mulher que afirma ter trabalhado no local descreve situações preocupantes. Ela denuncia que estão sendo realizadas diversas eutanásias em animais que não se enquadram nos critérios recomendados para esse procedimento.

O caso do cachorro Daniel ganhou destaque na denúncia. Segundo a mulher, o animal teria sido submetido à eutanásia por conta de um suposto ato de agressividade ocorrido há mais de um ano. No entanto, ela relata que o episódio foi causado por uma abordagem considerada totalmente inadequada.

A denunciante descreve um trabalho paciente de aproximação:

  1. Ela esteve diariamente por um mês em frente à baia do cachorro
  2. Respeitou o tempo do animal e ganhou sua confiança gradualmente
  3. Passou a fazer carinho e até entrar na baia sem incidentes
  4. Daniel permitia manipulação completa e saía para o solário com ela

Daniel nunca tentou morder. Era um animal carente, escreveu a mulher em seu relato. Após minha saída, ninguém deu continuidade ao trabalho. Nunca foi contratado adestrador, nem oferecida uma chance real de reabilitação ou adoção.

Resposta oficial e próximos passos

Em nota oficial, o município de Joinville afirmou que o atendimento aos animais do Centro de Bem-Estar Animal é realizado sob responsabilidade de veterinários qualificados e com experiência, visando sempre a atenção e o cuidado necessários.

O Ministério Público aguarda o relatório solicitado para avaliar os indícios de realização de eutanásias sem observância dos critérios estabelecidos. A Polícia Civil foi procurada pelo g1, mas não havia se manifestado até a última atualização da reportagem.

O caso levanta questões importantes sobre a gestão de animais em situação de abrigo e os protocolos de eutanásia em instituições públicas, especialmente em cenários de superlotação como o relatado em Joinville.