Procedimento de rotina termina em emergência
Um caso grave de complicações após castração animal está gerando revolta em Três Corações, no Sul de Minas Gerais. A cadela Kiara, de três anos, que vivia nas ruas do bairro Cotia, luta pela vida depois de ser submetida a uma cirurgia de castração realizada pelo serviço municipal. O procedimento, que deveria ser rotineiro, resultou em hemorragia intensa e sofrimento extremo, levando a protetora animal Théa Prudêncio a registrar uma denúncia.
Detalhes do ocorrido
De acordo com a cirurgiã-dentista e protetora Théa Prudêncio, Kiara foi castrada por um veterinário da prefeitura na fazenda experimental da Unincor. Pouco tempo depois, a cadela começou a apresentar sinais de dor intensa e sangramento. A protetora afirma que pretende levar o caso ao Ministério Público. Foi o lar temporário que acolheu Kiara após a cirurgia que alertou Théa. “Vendo os vídeos da Kiara em extremo sofrimento, com hemorragia grave, vomitando, gritando, provavelmente de dor, eu peço para imediatamente encaminhar para uma clínica particular”, relatou.
Material estranho encontrado no abdômen
Um vídeo gravado pela protetora mostra a cadela no lar temporário, ainda durante a madrugada. Kiara foi levada às pressas para um centro médico intensivo veterinário, onde passou por uma cirurgia de emergência. Durante o procedimento, os veterinários encontraram duas abraçadeiras de nylon, conhecidas como “enforca-gato”, dentro do abdômen do animal. A técnica é condenada pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária de Minas Gerais. Em Belo Horizonte, já existe legislação municipal que proíbe o uso desse material em procedimentos veterinários. O veterinário Charles Guedes explicou os riscos: “A parte do lacre pode ter tanta aderência, pode ter problemas reais, tanto recentes como tardios. Pode dar aderência em parte renal, bexiga, virando um corpo estranho dentro do abdômen do animal”.
Posição da prefeitura
A Prefeitura de Três Corações se manifestou por meio de nota publicada nas redes sociais. A administração municipal afirma que Kiara chegou para a equipe médica sem exames prévios, mas que as técnicas utilizadas durante a cirurgia de castração foram adequadas. A prefeitura também informou que a hemorragia foi controlada com medicamento específico. A nota conclui que o ocorrido foi uma fatalidade causada pelo estado de saúde do animal e que nenhuma ação configura maus-tratos ou negligência.
Expectativa da protetora
Théa Prudêncio espera que o caso traga mudanças. “Eu espero, em primeiro lugar, que a Kiara vença a maldade humana e saia daqui com alta. E espero que a prefeitura se responsabilize e que isso resulte em mudanças na forma de castração e de cuidados com os animais”, completou.



