Jovens invadem hospital de Ebola no Congo e obrigam evacuação de pacientes
Invasão a hospital de Ebola no Congo obriga evacuação

Na noite de domingo (24), jovens invadiram o Hospital Geral de Mongbwalu, no leste do Congo, epicentro do mais recente surto de Ebola. O ataque, o terceiro em menos de uma semana contra unidades de saúde na região, forçou a equipe médica a evacuar pacientes às pressas enquanto tiros eram ouvidos.

O Dr. Richard Lokudu, diretor médico do hospital, informou à Associated Press que os agressores exigiam a entrega de dois corpos de parentes. Houve troca de tiros, e os paramédicos tentavam evacuar pacientes e funcionários. “O Hospital Geral de Mongbwalu está em alerta máximo”, disse Lokudu, sem dar mais detalhes sobre a confusão.

O ataque é o mais recente de uma série de incidentes contra instalações de saúde que enfrentam falta de recursos para tratar casos suspeitos de Ebola. Os corpos de vítimas da doença são altamente contagiosos, e a preparação para enterros e funerais pode aumentar a disseminação. As autoridades congolesas determinaram que o enterro de suspeitos seja feito por profissionais, o que gera protestos de familiares.

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Proibição de velórios e novos ataques

Na sexta-feira (22), o governo proibiu velórios e aglomerações com mais de 50 pessoas no nordeste do Congo para conter o vírus. No sábado (23), moradores de Mongbwalu atacaram e incendiaram uma tenda da organização Médicos Sem Fronteiras para casos suspeitos e confirmados de Ebola. Dezoito pessoas com suspeita de infecção fugiram e estão desaparecidas, segundo Lokudu.

Na quinta-feira (21), outro centro de tratamento em Rwampara foi incendiado após familiares serem impedidos de recuperar o corpo de um homem suspeito de ter morrido de Ebola.

Números do surto e risco elevado

A Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou o nível de risco do surto no Congo de “alto” para “muito alto”, mas considera baixo o risco de disseminação global. No domingo, o Ministério das Comunicações da República Congolesa informou 904 casos suspeitos de Ebola, a maioria na província de Ituri, um aumento significativo em relação aos mais de 700 casos anteriores. O total de mortes suspeitas era de 119, mas números regionais somavam 220.

A Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho informou que três voluntários morreram em decorrência do surto em Mongbwalu, provavelmente infectados em 27 de março ao lidar com cadáveres em uma missão não relacionada ao Ebola. Se confirmado, isso atrasaria o cronograma do surto.

Variante rara e falta de vacina

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que 82 casos e sete mortes foram confirmados, mas o número real pode ser maior, pois a variante Bundibugyo circulou semanas sem ser identificada. Testes iniciais negativos para a cepa comum atrasaram a confirmação. Atualmente, há cerca de 750 casos suspeitos e 177 mortes suspeitas.

A cepa Bundibugyo é uma das formas mais raras do Ebola e, ao contrário da variante Zaire, não possui vacina aprovada.

Confiança e resposta comunitária

A diretora-geral do Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças, Jean Kaseya, destacou que a resposta ao surto depende da reconstrução da confiança entre autoridades e comunidades. A Cruz Vermelha informou que três voluntários morreram após contrair o vírus em março, indicando que o vírus pode ter circulado semanas antes da primeira morte oficial em Bunia, no fim de abril.

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