Estudo da Ufes revela aumento de temperatura e chuvas intensas em Vitória nas últimas décadas
Vitória mais quente e chuvosa, aponta estudo da Ufes

Estudo da Ufes aponta que Vitória está mais quente e com chuvas mais intensas

Vitória está mais quente e com chuvas mais intensas do que há seis décadas, conforme um estudo desenvolvido na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). A pesquisa analisou dados de temperatura e volume de precipitação registrados entre 1961 e 2023 na capital capixaba, identificando um aumento nas temperaturas máximas e mínimas, além de um crescimento no volume anual de chuvas e uma maior concentração das precipitações em menos dias.

Aumento significativo nos índices climáticos

O estudo, conduzido pelo estudante de Geografia Vagner Siqueira Filho, utilizou dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) coletados em uma estação meteorológica que funcionou na Ilha de Santa Maria até 2024. Os resultados mostram que o total pluviométrico anual aumentou cerca de 455 milímetros no período analisado, passando de aproximadamente 1.100 mm para quase 1.500 mm por ano.

"A temperatura máxima aumentou 1 grau e a mínima aumentou 1,3. A gente tem as noites quentes aumentando e as noites frias diminuindo. Isso deflagra possíveis deslizamentos de massa, possíveis alagamentos e enchentes. A Capital está ficando mais úmida e também mais quente", explicou Vagner Siqueira Filho.

Eventos extremos mais frequentes

O orientador da pesquisa, o professor Wesley Corrêa, do Departamento de Geografia da Ufes, destacou que os eventos extremos se tornaram mais frequentes ao longo dos mais de 60 anos analisados. Ele citou como exemplo a chuva histórica de 2013, que causou impactos em diversas cidades do Espírito Santo.

"Esses eventos, sobretudo os de chuva, estão se concentrando em um único dia. As chuvas estão se tornando cada vez mais intensas em um único período", afirmou o professor.

Dados históricos e monitoramento atualizado

Os dados utilizados no estudo foram coletados diariamente por uma estação meteorológica instalada na Ilha de Santa Maria, desativada em 2024. O equipamento foi substituído por uma estação automática localizada no campus de Goiabeiras da Ufes, que disponibiliza as medições em tempo real no site do Inmet.

Antes, a coleta era feita manualmente por técnicos, três vezes ao dia. Com a automatização, o monitoramento passou a ser contínuo, permitindo uma análise mais precisa e atualizada das condições climáticas.

Importância para políticas públicas

Para o professor Wesley Corrêa, estudos locais são fundamentais para orientar políticas públicas. "Quando você estuda localmente o efeito das mudanças climáticas, consegue fornecer informações para que políticas públicas sejam adotadas pensando na população", afirmou.

A Prefeitura de Vitória informou que, nos últimos cinco anos, tem realizado investimentos voltados para o enfrentamento das mudanças climáticas. Entre as ações citadas está o programa Vix Flora, que já plantou 205 mil mudas de árvores na Capital, além de obras de requalificação urbana nas orlas e intervenções de contenção de encostas.

Impactos no desenvolvimento urbano

Segundo os pesquisadores, levantamentos como o da Ufes são importantes para embasar políticas públicas e ampliar o debate sobre como o estilo de vida e o modelo de desenvolvimento urbano impactam o clima local. O aumento das temperaturas e a intensificação das chuvas representam desafios significativos para a gestão urbana e a segurança da população.

O estudo reforça a necessidade de ações contínuas e planejadas para mitigar os efeitos das mudanças climáticas em Vitória, garantindo um ambiente mais seguro e sustentável para os moradores da capital capixaba.