Outono no Rio Grande do Sul inicia com previsão de chuvas acima da média histórica
O verão chega oficialmente ao fim nesta sexta-feira, 20 de março, marcando o início do outono no hemisfério sul. O equinócio ocorre precisamente às 11h45 da manhã, estabelecendo o ponto de transição entre as estações. Segundo as projeções meteorológicas mais recentes, os gaúchos devem se preparar para um outono com volumes pluviométricos ligeiramente superiores à média climatológica do estado.
Transição climática e irregularidade nas precipitações
Marcelo Schneider, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), adianta que a nova estação será caracterizada por significativa instabilidade. "A expectativa para essa estação que começa é de sobe e desce, tanto nas temperaturas como uma irregularidade nas chuvas", explica o especialista. Os primeiros dias do outono já demonstram essa transição, com previsão de chuvas para a tarde desta sexta-feira devido ao avanço de uma frente fria sobre a região.
A situação deve apresentar melhora a partir da próxima terça-feira, 25 de março, mas o mês de abril manterá o padrão de irregularidade. "Vamos ter períodos de calor e também algumas massas de ar frio. E aí, na segunda metade do outono, e principalmente no final dele, a expectativa é que aí sim tenha a influência do El Niño", detalha Schneider.
Fenômeno El Niño e riscos climáticos
O desenvolvimento do fenômeno El Niño está previsto para o final do outono, tradicionalmente trazendo um padrão mais favorável de chuvas para o Rio Grande do Sul. No entanto, os meteorologistas fazem ressalvas importantes sobre comparações históricas. "A gente não pode imediatamente comparar com anos anteriores, tipo com 2024. Cada ano tem sua particularidade", pondera o especialista, em referência ao ano em que o estado enfrentou sua maior catástrofe climática.
Segundo a Climatempo, este novo El Niño deve se intensificar durante o segundo semestre de 2026, podendo alcançar intensidade de forte a muito forte, com características semelhantes às observadas em 2023. Em relação aos riscos imediatos, há alerta para possíveis eventos extremos. "É muito provável que tenhamos novamente alguns eventos de chuva muito forte, possivelmente algumas inundações, mas essa é uma previsão que a meteorologia faz com assertividade um mês antes", esclarece Schneider.
Comportamento térmico e perspectivas futuras
Quanto às temperaturas, o meteorologista destaca que o outono não será marcado por frequentes episódios de frio extremo. "Massas de ar frio não vão ser uma regra na estação, mas quando elas acontecerem, elas podem ser de forte intensidade", afirma. Embora no ano anterior tenham sido registradas temperaturas negativas em maio e junho, ainda é prematuro fazer projeções similares para 2026.
"Se pegar um saldo, média da estação como um todo, não há uma tendência de ser o frio duradouro, persistente", complementa o especialista. A previsão indica, portanto, um outono com características térmicas variáveis, alternando entre períodos mais amenos e eventuais incursões de massas de ar frio de curta duração, porém potencialmente intensas.
Os gaúchos devem permanecer atentos às atualizações meteorológicas, especialmente diante da possibilidade de chuvas fortes e localizadas que podem resultar em transtornos urbanos e rurais. A combinação entre a irregularidade pluviométrica inicial e a posterior influência do El Niño configura um cenário climático complexo para os próximos meses no estado.



