Cataratas do Iguaçu registram vazão três vezes menor que o normal devido à estiagem no Paraná
Cataratas do Iguaçu com vazão três vezes menor que o normal

Cataratas do Iguaçu registram vazão três vezes menor que o normal em meio à estiagem severa

As majestosas Cataratas do Iguaçu, localizadas no oeste do Paraná, apresentam um cenário preocupante nesta terça-feira (7), com um volume de água significativamente reduzido. De acordo com o monitoramento realizado pela Companhia Paranaense de Energia (Copel), a vazão atual das quedas está três vezes menor que a média histórica, atingindo apenas 485 mil litros por segundo.

Este valor contrasta drasticamente com a média habitual de 1,5 milhão de litros por segundo, revelando uma diminuição acentuada no fluxo que alimenta um dos maiores conjuntos de quedas d'água do mundo. Em períodos de chuvas constantes, a vazão das Cataratas já chegou a impressionantes 7,5 milhões de litros por segundo, volume que representa cinco vezes mais que o comum, demonstrando a variabilidade extrema que caracteriza este fenômeno natural.

Estiagem severa atinge o Paraná e causa emergência em municípios

A redução do volume de água nas Cataratas do Iguaçu ocorre em um contexto de estiagem severa que afeta diversas regiões do Paraná. A falta de chuvas persistentes levou vários municípios a decretarem situação de emergência, resultando em prejuízos milionários para o setor agrícola e impactando diretamente a vida das comunidades locais.

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As regiões mais afetadas pela estiagem são o oeste e sudoeste do estado, onde as lavouras sofrem perdas significativas, a criação de animais é prejudicada e o abastecimento de água enfrenta reduções preocupantes. Plantações inteiras não se desenvolveram adequadamente devido à escassez hídrica, comprometendo a produção e a segurança alimentar.

Municípios em situação crítica e medidas de auxílio

Diversos municípios paranaenses já oficializaram a situação de emergência devido à estiagem, incluindo Capanema, Boa Vista da Aparecida, Iretama, Laranjal, Santa Helena, Espigão Alto do Iguaçu, Roncador, Nova Prata do Iguaçu, Santa Mariana, além de Capitão Leônidas Marques, Antonina e Borrazópolis.

Em Capanema, por exemplo, o volume de chuva registrado em março foi de apenas 27% do esperado, segundo dados do Climatempo. Nos últimos três meses, o acumulado pluviométrico foi de 168,5 milímetros, menos da metade dos 438 milímetros previstos para o período. A prefeitura local estima que aproximadamente 1.600 pessoas foram afetadas pela estiagem, com pelo menos 424 recebendo água através de caminhões-pipa devido à queda de mais de 20% nas reservas hídricas municipais.

Segundo a Defesa Civil do Paraná, os municípios afetados podem solicitar auxílio através do Fundo Estadual para Calamidades Públicas (Fecap) para locação de caminhões-pipa e compra de caixas d'água. Entre 2024 e 2025, o estado já forneceu 324 reservatórios de água para 99 municípios, demonstrando a magnitude do problema hídrico enfrentado.

As Cataratas do Iguaçu: um patrimônio natural em transformação

As Cataratas do Iguaçu formam o maior conjunto de quedas d'água do mundo, com impressionantes 275 saltos catalogados. A altura das quedas varia entre 40 e 80 metros, podendo ultrapassar os 100 metros dependendo do volume do Rio Iguaçu. Este espetáculo natural se estende por 2,7 quilômetros, com 800 metros no território brasileiro e 1,9 quilômetro no lado argentino.

Aproximadamente 70% das cataratas estão localizadas em território argentino, enquanto os restantes 30% ficam no lado brasileiro, com a divisão entre os países sendo administrada pela Capitania Fluvial. A variação extrema na vazão, desde os atuais 485 mil litros por segundo até os 7,5 milhões em períodos de cheia, transforma radicalmente a paisagem deste importante destino turístico internacional.

A situação atual das Cataratas do Iguaçu serve como um alerta visível sobre os impactos da estiagem no Paraná, unindo preocupações ambientais, econômicas e sociais em um único fenômeno natural que reflete os desafios hídricos enfrentados pelo estado.

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