Açude Orós, segundo maior reservatório do Ceará, volta a sangrar após período de cheia
O estado do Ceará registra um cenário significativo de abundância hídrica nesta quarta-feira, 15 de abril de 2026. Conforme dados atualizados da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), o Açude Orós, que é o segundo maior reservatório de água do estado, retomou o processo de sangramento. Imagens capturadas por drone documentam o momento em que as águas transbordam, irrigando toda a região circunvizinha e demonstrando visualmente a magnitude do fenômeno.
Panorama geral dos reservatórios cearenses
Atualmente, o Ceará conta com um total impressionante de 26 açudes em situação de sangramento, ou seja, com seus volumes atingindo 100% da capacidade e transbordando. Entre eles, destacam-se, além do Orós, importantes corpos hídricos como o Acaraú Mirim em Massapê, o Jatobá II em Ipueiras, o Jenipapo em Meruoca, o Sobral em Sobral, e o Caldeirões em Saboeiro, todos operando no limite máximo.
Paralelamente, outros 37 reservatórios apresentam volumes superiores a 70% de sua capacidade total, indicando uma reserva hídrica robusta em diversas bacias. Alguns exemplos notáveis incluem:
- Arneiroz II em Arneiroz: 96,40%
- Tucunduba em Senador Sá: 92,93%
- Mundaú em Uruburetama: 91,49%
- Trussu em Iguatu: 88,81%
- Cauhipe em Caucaia: 87,78%
Volume total e contrastes regionais
No agregado, o volume armazenado em todos os açudes do Ceará alcança a marca de 8,66 bilhões de metros cúbicos, o que equivale a 47,18% da capacidade total de armazenamento do estado. Este percentual reflete uma situação geral favorável, porém com nuances importantes.
Em contrapartida, existem 31 açudes cujos volumes estão abaixo dos 30%, acendendo um alerta para regiões específicas. As bacias que demandam maior atenção são:
- Sertões de Crateús: com apenas 19,6% da capacidade.
- Médio Jaguaribe: com 26,7%.
- Banabuiú: com 28,5%.
Este cenário evidencia a disparidade na distribuição hídrica dentro do território cearense, onde algumas áreas experimentam transbordamentos enquanto outras enfrentam volumes críticos.
Significado do sangramento do Açude Orós
O retorno do sangramento do Açude Orós é um evento de grande relevância. Como o segundo maior reservatório do estado, seu transbordamento tem implicações diretas para a irrigação, o abastecimento humano e a dinâmica ambiental da região. As imagens aéreas não apenas registram o fato, mas também simbolizam a força dos ciclos hidrológicos no semiárido nordestino.
O monitoramento contínuo da Cogerh se mostra essencial para gerir este recurso precioso, equilibrando a alegria das cheias com a necessidade de planejamento para os períodos de estiagem que historicamente afetam o estado.



