A cidade de Campinas, no interior de São Paulo, encerrou o ano de 2025 com um significativo déficit de chuvas, cenário que já impacta o abastecimento de água e levou moradores de algumas regiões a buscarem o recurso em bicas e caminhões-pipa. Dados oficiais confirmam que a maior parte do ano foi mais seca do que o esperado, acendendo um alerta para o consumo consciente.
Dados pluviométricos revelam ano atípico e seco
Segundo levantamentos do Climatempo e do Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas (Ciagro), apenas dois meses de 2025 registraram índices de precipitação acima da média histórica na região: fevereiro e abril, cada um com cerca de 171 milímetros de chuva. Nos demais meses, a estiagem predominou.
Até o dia 31 de dezembro, foram contabilizados pouco mais de 186 milímetros de chuva na cidade, um volume aproximadamente 19 milímetros abaixo do esperado para o último mês do ano. Dezembro, tradicionalmente um dos períodos mais chuvosos, também fechou com precipitação inferior ao previsto.
Outros meses se destacaram pela seca extrema. Em março, onde a expectativa era de 145 milímetros, choveu apenas pouco mais de 53 milímetros. Já agosto foi o mais seco dos últimos 13 anos, com um registro irrisório de 8 milímetros de chuva.
Fenômenos climáticos não se estabeleceram como o esperado
A meteorologista Ana Ávila, do Cepagri, explica que o padrão de chuvas em 2025 foi atípico. Mesmo no verão, as precipitações foram pontuais, localizadas e, por vezes, intensas, o que pode gerar uma falsa impressão de volume satisfatório. "E até dão aquela impressão de que está chovendo bastante, mas na verdade são chuvas muito concentradas", afirma a especialista.
Ela detalha que as frentes frias ficaram retidas na região sul do país, enquanto os fenômenos típicos do verão paulista, associados ao calor e à umidade da Amazônia, não se estabeleceram em Campinas como de costume. "Nessa época já deveríamos ter mais chuvas associadas ao calor e à umidade da região amazônica... e isso não vem ocorrendo", complementa Ávila.
Impactos nos mananciais e alerta para a população
A falta de chuvas persistentes ao longo do dia, essenciais para a recarga dos lençóis freáticos, já reflete na redução do volume dos mananciais. "E agora no verão, que é o período também de reposição, a gente está com esse déficit de precipitação", alerta a meteorologista.
Com o cenário de estiagem, Campinas termina 2025 em estado de atenção. A orientação para a população é que redobre os cuidados com o uso da água. O apelo pelo consumo consciente ecoa entre os moradores, que sentem no dia a dia a pressão da seca. "A gente tem que começar a pensar em economizar. Com esse calor, todo mundo quer tomar mais banho, usar piscina. Se faltar, vai ser complicado. Tem que se preocupar", relata um residente da região.
A situação já obriga parte da comunidade a buscar alternativas para o abastecimento, evidenciando que os efeitos do déficit pluviométrico de 2025 vão além dos dados estatísticos e afetam diretamente a rotina dos campineiros.