Ceará tem 31 açudes sangrando; Orós atinge marca pelo segundo ano consecutivo
31 açudes sangram no Ceará; Orós repete fenômeno

Ceará atinge marca de 31 açudes sangrando; Orós repete fenômeno pelo segundo ano

O estado do Ceará registra, nesta quarta-feira (22), um total de 31 açudes sangrando, segundo dados atualizados da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh). O número representa um aumento significativo em relação à semana anterior, quando 26 reservatórios estavam nessa condição. Entre os que atingiram a capacidade máxima está o açude Orós, o segundo maior do estado, que sangra pelo segundo ano consecutivo.

Aumento rápido e situação crítica

Em apenas uma semana, cinco novos açudes começaram a sangrar: São Vicente, no município de Santana do Acaraú; Tucunduba, em Senador Sá; São Pedro Timbaúba, em Miraíma; Cauipe, em Caucaia; e Sucesso, em Tamboril. Além dos 31 que já transbordam, outros nove reservatórios estão com volume acima de 90%, próximos da marca de sangria.

O Ceará possui um total de 144 açudes, com capacidade máxima de armazenamento de 18.367 hectômetros cúbicos (hm³). Atualmente, o volume de água armazenada é de 8.958 hm³, o que corresponde a 48,77% da capacidade total. Esse percentual reflete o impacto das chuvas recentes no estado.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Distribuição regional e unidades de gerenciamento

De acordo com o Portal Hidrológico do Ceará, a unidade de gerenciamento com maior volume de água armazenado é a do Alto do Jaguaribe, com impressionantes 95,70%. Em seguida, aparecem Coreaú (93,95%), Litoral Oeste (87,78%), Acaraú (79,20%) e Serra da Ibiapaba (72,84%).

As demais unidades de gerenciamento apresentam volumes abaixo de 70%:

  • Salgado (66,93%) - localizado no Cariri cearense
  • Curu (55,78%)
  • Baixo do Jaguaribe (34,71%)
  • Banabuiú (29,52%)
  • Médio Jaguaribe (27,68%)
  • Sertões de Crateús (20,59%)

Lista completa dos açudes sangrando

Os 31 açudes que estão sangrando no Ceará estão distribuídos por diversos municípios:

  • Acaraú Mirim (Massapê)
  • Jatobá II (Ipueiras)
  • Jenipapo (Meruoca)
  • Sobral (Sobral)
  • São Vicente (Santana do Acaraú)
  • Caldeirões (Saboeiro)
  • Mamomeiro (Antonina do Norte)
  • Muquém (Cariús)
  • Orós (Orós)
  • Pau Preto (Potengi)
  • Trici (Tauá)
  • Valério (Altaneira)
  • Angicos (Coreaú)
  • Gangorra (Granja)
  • Itaúna (Granja)
  • Tucunduba (Senador Sá)
  • Várzea da Volta (Moraújo)
  • Gameleira (Itapipoca)
  • Quandú (Itapipoca)
  • São Pedro Timbaúba (Miraíma)
  • Cauipe (Caucaia)
  • Germinal (Pacoti)
  • Tijuquinha (Baturité)
  • Cachoeira (Aurora)
  • Olho d'Água (Várzea Alegre)
  • Rosário (Lavras da Mangabeira)
  • Ubaldinho (Cedro)
  • Colina (Quiterianópolis)
  • Do Batalhão (Cratéus)
  • Sucesso (Tamboril)
  • São José II (Ipaporanga)

A situação do açude Orós chama atenção especial por ser o segundo maior do estado e estar sangrando pelo segundo ano consecutivo, demonstrando a consistência do volume de chuvas na região. O fenômeno contrasta com anos anteriores de seca severa no semiárido cearense.

Enquanto os açudes sangram, outras regiões do estado enfrentam problemas relacionados às chuvas intensas, como crateras que se abrem em ruas e alagamentos que deixam famílias desabrigadas, incluindo comunidades indígenas. O cenário hidrológico do Ceará apresenta, portanto, uma complexa combinação de abundância em algumas áreas e desafios de infraestrutura em outras.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar