Pesquisa desvenda enigma evolutivo do pênis humano
Um estudo científico publicado na revista PLOS Biology trouxe novas revelações sobre um dos maiores enigmas da biologia evolutiva humana: por que o pênis humano é significativamente maior do que o de outros primatas, como chimpanzés e gorilas, considerando o porte corporal da espécie.
Duas funções evolutivas identificadas
A pesquisa, que envolveu mais de 800 participantes analisando 343 figuras masculinas tridimensionais, sugere que o tamanho do pênis humano foi moldado por dois fatores principais ao longo da evolução: a atração de parceiras sexuais e a intimidação de rivais masculinos.
Os autores do estudo partem de uma observação fundamental: durante grande parte da história evolutiva humana, antes da invenção das roupas e com a postura ereta já estabelecida, o pênis era uma característica corporal altamente visível tanto para potenciais parceiras quanto para outros homens.
Metodologia da pesquisa
O estudo ampliou uma pesquisa realizada há 13 anos pelos mesmos autores, utilizando figuras masculinas anatomicamente corretas que variavam em três características: altura, formato do tronco (proporção entre ombros e quadris) e tamanho do pênis.
As mulheres participantes classificaram as figuras quanto à atratividade sexual, enquanto os homens avaliaram quão fisicamente ameaçadores e sexualmente competitivos esses corpos pareciam. Parte das avaliações foi feita presencialmente com projeções em tamanho real, e outra parte através de dispositivos eletrônicos como computadores, tablets e celulares.
Resultados reveladores
Entre as mulheres, foi observada uma preferência por homens mais altos, com ombros mais largos e pênis maior. No entanto, os pesquisadores identificaram um efeito de retorno decrescente: após certo ponto, aumentos adicionais nessas características geravam ganhos cada vez menores na percepção de atratividade.
Já entre os homens, as avaliações mostraram que figuras com pênis maior, maior altura e tronco mais largo eram percebidas como rivais mais perigosos tanto fisicamente quanto sexualmente. Diferentemente das mulheres, os homens tenderam a classificar características cada vez mais exageradas como sinais de maior competitividade, sugerindo que podem superestimar quanto esses traços são valorizados pelas mulheres.
Tempo de avaliação como indicador
Um aspecto interessante da pesquisa foi a medição do tempo que os participantes levavam para fazer suas avaliações. Figuras com pênis menor, menor altura e tronco menos largo eram julgadas mais rapidamente, indicando que essas características podem ser avaliadas de forma quase imediata e subconsciente como menos atraentes ou menos ameaçadoras.
Preferência feminina como fator principal
Os pesquisadores destacam que, embora a função primária do pênis continue sendo a transferência de espermatozoides, os resultados mostram que seu tamanho também funcionou como um sinal biológico importante.
O estudo revelou que o efeito do tamanho do pênis sobre a atratividade feminina foi entre quatro e sete vezes maior do que seu efeito como sinal de capacidade de luta percebido pelos homens. Isso sugere que a seleção sexual pelas preferências das mulheres pode ter tido papel mais importante do que a competição entre homens na evolução dessa característica, embora ambos os fatores tenham contribuído.
Limitações e considerações
Os autores ressaltam que o experimento isolou apenas três características físicas, enquanto na vida real elementos como traços faciais, personalidade e fatores culturais também influenciam significativamente as percepções entre as pessoas.
Além disso, padrões culturais de masculinidade variam ao longo do tempo e entre diferentes sociedades, o que pode influenciar essas percepções de maneira diversa em diferentes contextos culturais e históricos.
A pesquisa abre novas perspectivas para entender como características físicas humanas foram moldadas por processos evolutivos complexos que envolvem tanto a seleção sexual quanto a competição intraespecífica.