Plantas ancestrais sobreviveram à maior extinção do planeta com estratégia inovadora de fotossíntese
Com a crise climática global se intensificando, compreender como organismos vegetais resistiram a ambientes extremos no passado torna-se crucial para prever transformações futuras na natureza. Um estudo pioneiro publicado na Nature Ecology and Evolution, liderado por cientistas da Universidade de Leeds, desvendou o segredo por trás da sobrevivência de um grupo de plantas ancestrais durante o evento de extinção em massa mais devastador da história terrestre.
A Grande Morte e a ascensão das licófitas
Há aproximadamente 250 milhões de anos, no limiar entre os períodos Permiano e Triássico, o planeta enfrentou o cataclismo conhecido como "A Grande Morte", que eliminou cerca de 90% das espécies então existentes. O aumento extremo das temperaturas, desencadeado por erupções vulcânicas maciças na atual Sibéria, dizimou as florestas dominadas por ancestrais das coníferas, abrindo espaço para um grupo vegetal mais resistente: as licófitas.
Essas plantas, que se reproduzem por esporos, possuíam uma característica distintiva: uma forma alternativa de realizar a fotossíntese, denominada mecanismo CAM (Metabolismo Ácido das Crassuláceas). Essa adaptação permitiu que conservassem água e sobrevivessem ao calor intenso, abrindo seus estômatos durante a noite para capturar e armazenar dióxido de carbono na forma de ácido málico, utilizado posteriormente durante o dia no processo fotossintético.
Inovação biológica que moldou o planeta
Os pesquisadores acreditam que as licófitas podem ter sido as primeiras plantas a empregarem o mecanismo CAM, uma inovação biológica que não apenas garantiu sua própria sobrevivência, mas também ajudou a manter o equilíbrio ambiental do planeta. Ao remover carbono da atmosfera, essas plantas contribuíram para mitigar os níveis de calor gerados pela extinção, dominando a superfície terrestre por milhões de anos.
Para chegar a essas conclusões, a equipe científica analisou as relações filogenéticas das licófitas, identificando parentes modernos como as plantas do gênero Isoete, ainda encontradas em diversas regiões do mundo. Através do estudo de assinaturas de isótopos de carbono em fósseis, os pesquisadores puderam confirmar que essas plantas habitaram ambientes onde as temperaturas superficiais ultrapassavam os 50°C.
Lições para o futuro em um mundo em aquecimento
O mecanismo CAM não é uma relíquia do passado; plantas que o utilizam ainda existem hoje, representando cerca de 7% da vegetação global. Elas são encontradas não apenas em regiões áridas e quentes, como desertos, mas também em ambientes aquáticos com baixa disponibilidade de dióxido de carbono. Exemplos contemporâneos incluem espécies como o abacaxi, cuja fruta é produzida por uma planta com fotossíntese CAM.
Os resultados da pesquisa sugerem implicações significativas para o cenário atual de mudanças climáticas. "Se o mundo enfrentar calor extremo contínuo, as comunidades vegetais podem se transformar, favorecendo espécies que toleram altas temperaturas e estresse hídrico", explica o Dr. Zhen Xu, coordenador do estudo da Escola de Terra e Meio Ambiente da Universidade de Leeds. Assim, compreender a resiliência das licófitas oferece insights valiosos sobre como a vegetação pode responder ao aquecimento global futuro, destacando a importância de estratégias adaptativas na preservação da biodiversidade.



