Pesquisa inédita revela pegadas de dinossauros de 100 milhões de anos na Amazônia de Roraima
Pegadas de dinossauros de 100 milhões de anos achadas na Amazônia

Descoberta histórica na Amazônia: pegadas de dinossauros de mais de 100 milhões de anos são confirmadas em Roraima

Uma pesquisa inédita publicada nesta segunda-feira (9) na renomada revista científica internacional Cretaceous Research revelou a descoberta de pegadas fossilizadas de dinossauros com mais de 100 milhões de anos no estado de Roraima, na região Norte do Brasil. O estudo, realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Roraima (UFRR), confirma pela primeira vez a existência desses registros icnológicos na Amazônia, preenchendo uma "lacuna histórica" no registro fóssil da região.

Detalhes da pesquisa e localização das pegadas

O artigo, intitulado "Tracking Dinosaurs in the Tacutu Basin: First Ichnological Evidence from the Lower Cretaceous of Northern Brazil", foi assinado pelos pesquisadores Lucas Barros, Vladimir Souza, Carlos Vieira, Gabriel Zaranza e Felipe Pinheiro. As evidências foram encontradas na bacia do Tacutu, especialmente na Formação Serra do Tucano, no município de Bonfim, ao Norte de Roraima.

As pegadas datam do período Cretáceo Inferior, entre as idades Barremiana e Albiana, e foram identificadas em dez sítios distintos da bacia. A revista Cretaceous Research, publicada pela editora Elsevier e indexada em bases internacionais como Scopus e Web of Science, é uma das principais publicações do mundo na área de paleontologia, conferindo reconhecimento científico internacional à descoberta.

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Importância científica e tipos de dinossauros identificados

De acordo com os pesquisadores, os vestígios indicam a presença de dinossauros carnívoros (terópodes) e herbívoros (ornitópodes), de diferentes tamanhos. O estudo identificou ao menos sete tipos de pegadas, incluindo marcas que podem ter sido deixadas por grandes predadores, possivelmente parentes dos dromeossaurídeos, grupo que inclui os chamados "raptores".

O geólogo e doutor em bioestratigrafia Vladimir de Souza, que descobriu as primeiras pegadas em 2011 durante um mapeamento geológico, destacou a relevância da publicação: "A publicação é o reconhecimento científico da descoberta, pois é avaliada por pesquisadores da área. É um reconhecimento internacional".

Contexto paleoecológico e desafios da pesquisa na Amazônia

A Amazônia é considerada uma das regiões com menos registros fósseis de dinossauros no mundo, principalmente devido à erosão intensa, vegetação densa e dificuldade de acesso. A descoberta em Roraima é, portanto, um marco para a paleontologia brasileira, demonstrando que mesmo em áreas fortemente alteradas por processos naturais típicos do clima tropical ainda é possível encontrar fósseis de grande relevância científica.

O estudo revela que a região era um antigo vale que há mais de 100 milhões de anos abrigava rios e lagos, funcionando como uma planície continental onde os animais deixaram suas impressões. Vladimir de Souza comparou: "É como se a gente voltasse numa máquina do tempo para um local totalmente diferente, com animais totalmente diferentes".

Metodologia e perspectivas futuras

A pesquisa começou há mais de uma década, com as primeiras pegadas identificadas em 2011 durante atividades de campo da UFRR. A confirmação científica exigiu anos de análise, uso de imagens por sensoriamento remoto, expedições de campo e técnicas como fotogrametria. O trabalho contou com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Além de ampliar o conhecimento sobre os dinossauros na Amazônia, o estudo também chama atenção para a necessidade de mapeamento e preservação dos sítios fossilíferos da região. As pegadas representam não apenas um achado raro, mas ajudam a reconstruir um cenário paleoecológico inédito da Amazônia durante o Cretáceo, oferecendo novas perspectivas para pesquisas futuras na área.

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