Estrutura Richat: 'Olho do Saara' é revelado em nova imagem de satélite da NASA
NASA divulga nova imagem do 'Olho do Saara' no deserto

Estrutura Richat: 'Olho do Saara' é revelado em nova imagem de satélite da NASA

Uma das formações geológicas mais impressionantes do planeta Terra permanece escondida no coração do deserto do Saara, apenas revelando sua magnitude total quando observada a partir do espaço. A Estrutura Richat, localizada no platô de Adrar, na Mauritânia, no noroeste da África, surge como um gigantesco círculo perfeito em meio à paisagem árida e desolada do maior deserto quente do mundo.

Uma visão cósmica de 40 quilômetros

Com impressionantes 40 quilômetros de diâmetro, esta estrutura rochosa ficou mundialmente conhecida como o "Olho do Saara". Nesta quinta-feira (16), a Agência Espacial Norte-Americana (NASA) divulgou uma nova imagem de satélite que coloca novamente esta maravilha natural em destaque. A fotografia foi meticulosamente composta a partir de registros capturados pelos satélites Landsat 8 e Landsat 9 durante o mês de março de 2026.

A imagem revela com extraordinário detalhe as faixas circulares de rocha que formam o padrão característico da estrutura, apresentando uma paleta de cores que varia entre tons vibrantes de laranja e nuances sóbrias de cinza. Estas cores não são meramente estéticas; elas representam a diversidade mineralógica presente tanto na formação geológica quanto na paisagem circundante.

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Da descoberta à explicação científica

A história da Estrutura Richat começa na década de 1930, quando geógrafos franceses a descreveram pela primeira vez, batizando-a de "abotoadura" de Richat em referência ao acessório utilizado para fechar punhos de camisas sociais. Décadas mais tarde, em 1965, os astronautas Ed White e James McDivitt fotografaram a estrutura durante a missão Gemini IV da NASA, um dos primeiros voos tripulados de longa duração dos Estados Unidos.

Durante muitos anos, a comunidade científica especulou que a formação circular poderia ser resultado do impacto de um meteorito, já que colisões cósmicas de grande magnitude frequentemente criam crateras com características similares. No entanto, pesquisas geológicas posteriores demonstraram uma origem completamente diferente:

  • As rochas foram empurradas para cima por material vulcânico no subsolo
  • Ao longo de milhões de anos, processos erosivos desgastaram as camadas de forma desigual
  • Este desgaste diferencial criou os anéis concêntricos que são visíveis atualmente

Um palco onde geologia e história humana se encontram

O platô de Adrar, onde se localiza a Estrutura Richat, não é apenas um tesouro geológico. A região concentra evidências fascinantes da presença humana através dos milênios:

  1. Ferramentas de pedra deixadas por populações pré-históricas
  2. Pinturas rupestres que documentam a vida ancestral
  3. Ruínas de cidades medievais que serviam como pontos de parada para caravanas que cruzavam o deserto do Saara

Para os especialistas da NASA, esta área representa um exemplo raro onde a história humana e os processos geológicos se sobrepõem em uma escala que é difícil de imaginar quando observada a partir do solo, mas que se torna impossível de ignorar quando vista do espaço. A Estrutura Richat continua sendo um testemunho silencioso das forças que moldaram nosso planeta e das civilizações que nele floresceram.

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