NASA altera órbita de asteroide em teste histórico de defesa planetária
Um asteroide que serviu como alvo para um teste da NASA há alguns anos foi empurrado para uma rota ligeiramente diferente ao redor do Sol, conforme revelaram pesquisadores nesta sexta-feira. Esta é a primeira vez na história que a órbita de um corpo celeste em torno do Sol é alterada de forma deliberada, representando um marco significativo para a defesa planetária.
Pequenas mudanças, grandes consequências
O impacto da nave DART, lançada em 2021 como parte do primeiro exercício mundial de defesa planetária, reduziu em apenas um décimo de segundo o tempo da órbita do asteroide Dimorphos. Além disso, diminuiu em aproximadamente 720 metros o percurso de uma volta completa ao redor do Sol - uma órbita que normalmente dura dois anos e percorre centenas de milhões de quilômetros.
"Embora pareça pouco, um pequeno desvio pode se acumular ao longo de décadas e fazer a diferença entre um asteroide potencialmente perigoso atingir ou não a Terra no futuro", explicou Rahil Makadia, autor principal do estudo da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign, em comunicação por e-mail.
O sistema binário Didymos-Dimorphos
A missão DART colidiu deliberadamente com Dimorphos, um pequeno asteroide de cerca de 160 metros de diâmetro que orbita um corpo maior chamado Didymos, que mede aproximadamente 780 metros de largura. Segundo o novo estudo, Didymos possui cerca de 200 vezes mais massa que seu companheiro menor.
Logo após o impacto em 2022, a NASA já havia confirmado que a colisão encurtara a órbita de Dimorphos ao redor do asteroide maior. Agora, com base em observações de telescópios ao redor do mundo, os cientistas confirmaram que o impacto também reduziu em 0,15 segundo o tempo que o sistema binário leva para completar uma volta ao redor do Sol.
Efeito amplificado pelos detritos
Os pesquisadores fizeram uma descoberta adicional importante: as rochas e detritos lançados ao espaço durante a colisão contribuíram tanto quanto a própria nave para empurrar Dimorphos, efetivamente dobrando o efeito do impacto. Uma equipe ítalo-americana estimou anteriormente que cerca de 16 milhões de quilos de rocha e poeira foram ejetados durante o evento.
"Este estudo representa um avanço importante na nossa capacidade de evitar impactos de asteroides na Terra no futuro", escreveu a equipe internacional de pesquisadores em artigo publicado na revista Science Advances.
Segurança garantida e próximos passos
A boa notícia é que, mesmo com a alteração na trajetória, a Terra continua fora do caminho desses asteroides no futuro previsível. Steven Chesley, do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, que participou do estudo, destacou que este sistema foi escolhido justamente por não representar risco para o planeta.
"Embora seja apenas um experimento, ele representa um dado importante que será útil para futuras missões de desvio de asteroides", afirmou Chesley.
Os cientistas esperam aprender ainda mais sobre as consequências do impacto quando a nave Hera, da Agência Espacial Europeia, chegar ao sistema em novembro. Diferentemente da DART, a Hera não irá colidir com os asteroides, mas permanecerá na região por vários meses realizando observações detalhadas. Dois pequenos módulos experimentais também serão liberados e tentarão pousar no asteroide.
Estratégia de defesa planetária
Makadia enfatizou que, em testes de defesa planetária, o essencial não é aplicar um grande empurrão de última hora, mas provocar um pequeno desvio com muitos anos de antecedência. Esta abordagem permite que pequenas alterações se acumulem ao longo do tempo, desviando significativamente a trajetória de objetos potencialmente perigosos antes que se aproximem demais da Terra.
A missão DART demonstrou que a humanidade possui a capacidade técnica para alterar o curso de objetos celestes, abrindo caminho para sistemas de proteção planetária mais robustos no futuro.



