Cogumelo chinês provoca alucinações idênticas de humanoides minúsculos em 96% dos casos
Cogumelo chinês causa alucinações idênticas de pessoinhas

Cogumelo chinês desencadeia alucinações idênticas de humanoides minúsculos em quase todos os casos

Um fenômeno intrigante na província de Yunnan, no sudoeste da China, tem chamado a atenção de cientistas e médicos. Todos os anos, hospitais locais recebem pacientes que relatam um sintoma extraordinário e repetitivo: a visão de pequenas figuras humanas caminhando pelo chão, subindo paredes, atravessando portas e interagindo com objetos do ambiente.

O mistério do cogumelo Lanmaoa asiatica

A causa dessas alucinações é um cogumelo conhecido cientificamente como Lanmaoa asiatica, bastante popular na região. Vendido em feiras e servido em restaurantes durante a temporada de colheita, entre junho e agosto, ele é considerado saboroso e faz parte da culinária local. No entanto, se não for cozido por tempo suficiente, pode desencadear um fenômeno raro chamado de "alucinação lilliputiana".

Esse termo, usado na psiquiatria, descreve a visão de pessoas, animais ou seres fantásticos em tamanho minúsculo, inspirado nos habitantes da ilha fictícia de Lilliput, do clássico As Viagens de Gulliver. O que torna esse caso particularmente fascinante é a impressionante uniformidade das experiências relatadas.

Uniformidade das alucinações desafia o conhecimento científico

Levantamentos hospitalares em Yunnan indicam que cerca de 96% dos pacientes afetados descrevem visões praticamente idênticas. Eles falam de dezenas de pequenas figuras humanas marchando, pulando ou se movendo pelo ambiente real, muitas vezes aparecendo sobre mesas, nas roupas ou até dentro do prato de comida.

Essa repetição é notável porque, em geral, substâncias alucinógenas conhecidas, como a psilocibina presente nos "cogumelos mágicos", produzem experiências altamente variáveis de pessoa para pessoa. A consistência dos relatos em Yunnan sugere um mecanismo biológico único e ainda não compreendido pela ciência.

Substância desconhecida intriga pesquisadores

Análises químicas realizadas por pesquisadores do Museu de História Natural de Utah não identificaram no cogumelo nenhum dos compostos psicoativos já conhecidos. Isso levanta a hipótese de que a espécie pode conter uma substância ainda desconhecida da ciência, capaz de induzir alucinações tão específicas e uniformes.

Curiosamente, o Lanmaoa asiatica pertence a um grupo mais próximo dos cogumelos comestíveis do tipo porcini do que das espécies tradicionalmente associadas a efeitos psicodélicos. Em testes laboratoriais, extratos do cogumelo aplicados em camundongos provocaram mudanças comportamentais compatíveis com os relatos humanos, incluindo um período inicial de agitação seguido por longos intervalos de apatia.

Fenômeno com paralelos históricos e culturais

O mistério não se limita à China. Nas Filipinas, comunidades indígenas falam nos "ansisit", figuras semelhantes às "pessoinhas" descritas em Yunnan. Registros históricos na Papua-Nova Guiné, ainda na década de 1930, mencionam um fenômeno parecido após o consumo de um cogumelo local.

Esses paralelos sugerem que a capacidade de induzir alucinações lilliputianas pode ser mais comum do que se imagina, mas a uniformidade observada em Yunnan é excepcional. Os cientistas continuam investigando para desvendar o composto responsável e entender como ele afeta o cérebro humano de maneira tão previsível.