O nível do Rio Juruá, em Cruzeiro do Sul, interior do Acre, apresentou uma leve redução pelo segundo dia consecutivo, marcando 14,02 metros na medição das 6h desta segunda-feira (4). Embora tenha havido uma diminuição, o volume de água ainda supera a cota de transbordo, que é de 13 metros. De acordo com a Defesa Civil Municipal, a queda foi de 9 centímetros em comparação com o domingo (3), quando o rio estava com 14,11 metros pela manhã. O movimento de vazante começou a ser registrado na medição das 18h do último sábado (2).
Famílias ainda não podem retornar
O Corpo de Bombeiros informou que as famílias atingidas ainda não podem voltar para casa, pois o nível do Rio Juruá continua acima da cota considerada segura. A corporação mantém o monitoramento constante e uma reunião prevista para esta segunda-feira (4) avaliará as condições para uma possível desmobilização dos abrigos.
Enquanto a vazante não se consolida, 65 famílias permanecem em abrigos montados pela prefeitura municipal, totalizando 271 pessoas, segundo estimativas da gestão local.
Pico da cheia
O pico da enchente foi registrado na última sexta-feira (1º), quando o manancial atingiu 14,19 metros, superando pela segunda vez em menos de um mês a marca histórica de 14,15 metros. Na ocasião, o nível se manteve estável por dois dias. Segundo o monitoramento da Defesa Civil Municipal, as maiores inundações em Cruzeiro do Sul ocorreram em 2017 (14,24 metros), 2021 (14,36 metros) e 2026.
Famílias afetadas
Apesar do recuo, a cheia ainda atinge 7.087 famílias em 12 bairros, 15 comunidades rurais e 4 vilas. A retirada das famílias das áreas alagadas para os abrigos começou no dia 28 de abril. Ao todo, mais de 28 mil pessoas foram afetadas. A prefeitura organizou sete abrigos que oferecem alimentação, serviços sociais e de saúde. Cinco famílias estão na Escola Padre Arnoud; seis na Escola Corazita Negreiros; 30 na Escola Madre Adelgundes Becker (10 delas indígenas); seis na Escola Thaumaturgo de Azevedo; seis na Escola Marcelino Champagnat; seis na Escola Terezinha Saavedra; e seis na Escola Rita de Cássia.
A Defesa Civil estima que cerca de 624 famílias estão desalojadas, abrigadas em casas de parentes. Em áreas alagadas, 323 famílias permanecem com a energia elétrica suspensa para evitar acidentes.
Ações emergenciais
Além das medidas emergenciais, o município recebeu dois barcos para a Defesa Civil e 200 kits de limpeza, que serão destinados às famílias atingidas para auxiliar na limpeza dos imóveis quando retornarem para casa.
Quinto transbordamento
O último transbordo ocorreu em 30 de março, quando o rio marcou 13,31 metros e atingiu oito bairros e oito comunidades rurais. O quinto transbordamento do Rio Juruá aconteceu após um período de vazante que havia permitido o retorno de famílias para casa em 8 de abril. O pico da cheia anterior foi em 4 de abril, com 14,15 metros, afetando mais de 28 mil pessoas e 7.087 famílias em 12 bairros urbanos, 15 comunidades rurais e três vilas.
Devido às cheias em várias regiões do estado, o governo do Acre decretou situação de emergência em seis municípios, publicado em edição extra do Diário Oficial do Estado em 5 de abril e reconhecido pelo governo federal em 14 de abril.



